Ainda a ciclovia

Por continuar o noticiário sobre a responsabilidade da tragédia da queda de trecho da ciclovia Tim Maia, por sua localização sujeito aos efeitos da agressão do mar, “o mais antigo inimigo do homem”, devo, de novo, afastar-me dos comentários periódicos sobre o nosso Código de Trânsito, e voltar a esse assunto.

A formação matemática recebida na Escola Naval, complementando a formação literária, recebida dos Irmãos Maristas, muito me facilita a poder analisar, com absoluta clareza, os fatos relacionados a esse infausto acontecimento.

Como já lhes declarei, uma das vítimas, o Eduardo, era filho de queridos amigos e por conseguinte, por dever de amizade e de solidariedade cristã, comparecemos, minha mulher e eu, a sua Missa de Sétimo Dia, verdadeiro espetáculo de demonstração de solidariedade humana. A igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, estava lotada, com pessoas em pé até, todos acometidos de um sentimento de dor e de revolta. A identificação dos responsáveis não irá restituir a vida aos dois desparecidos, mas poderá e deverá prevenir que tais erros não se repitam, assim espero.

Na procura dos erros e de responsabilidades, há de se separar dois pontos básicos, a saber: os erros da construção e os erros de operação.

No primeiro, estão chegando à conclusão de que houve erro de projeto e de construção, não levando em conta a ameaça do mar, repito: “o mais antigo inimigo do homem” que, valendo–se do ponto mais fraco da construção, segundo os laudos onde foram cometidos erros, aproveitou-se, valendo-se de sua força indomável, e derrubou a obra do seu inimigo, o homem, que cometeu a inocência de não considerar a sua ameaça perene presença que “pô-lo Deus a bramir junto do nosso sono, para cuidar que não durmamos”, já escrevia Ruy Barbosa em sua obra”Lição das esquadras”.

Tal fato apresentaria apenas prejuízos materiais, de fácil ressarcimento. Já o segundo, o operacional, ao não interditar o tráfego na via, em face das conduções adversas do mar, acarretou perdas de vidas, irreparáveis.

Estão aí definidas, de maneira clara, as duas responsabilidades distintas, e que a sua falha conjunta criou este drama que a tantos atingiu.

Fica, por conseguinte, de maneira indiscutível, o dever humano e legal da Prefeitura de indenizar o que não tem preço a ser indenizado, as vidas humanas, às famílias enlutadas, conforme, aliás, o prefeito, em sua primeiras declarações sobre o infausto acontecimento, já se manifestara de acordo, admitindo a falha de operação, exclusiva da Prefeitura.

Que não seja prolongado o prazo do pagamento devido, a fim não cair na conceituação de meu pai, Ministro do Supremo, no final dos anos de 50 e inicio de 60, do século que passou: “Justiça protelada, é justiça negada”. 

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