A necessária democratização da mídia

Decidida a eleição por um voto de diferença para o Parlamento Dinamarquês, venceu o Partido Conservador. Desde 1849 a Dinamarca é uma monarquia parlamentarista e vige desde então a mesma Constituição. Um fato curioso foi o candidato alternativo que perdeu a eleição, cuja votação cresce a cada quatro anos e que defende uma aliança maior com os países do Brics para evitar uma nova crise financeira mundial, e até prevê uma guerra nuclear.

O que há de comum e que Tom Gillesberg reclama que como candidato alternativo não teve espaço na mídia, o que torna a eleição menos democrática do que deveria ser. Eis aqui onde Dinamarca e Brasil se encontram, na falta de democratização da mídia. O candidato afirma que é um enorme defeito para a democracia o fato de os cidadãos terem que se pautar pela mídia e não a mídia pelos fatos da cidadania.

Numa população esclarecida como a dinamarquesa, ele afirma que no futuro as pessoas hão de se conscientizar disso e vão se revoltar contra esse controle que a mídia faz dos fatos e de sua interpretação interesseira. Veja: se lá, onde 99% da população é alfabetizada e tem acesso à universidade gratuita, é assim, imagina aqui em nosso país onde a grande mídia pauta as notícias e faz a cabeça de acordo dos leitores conforme os interesses das famílias proprietárias das empresa de comunicação e dos anunciantes que pagam seus funcionários?

Talvez soe estranho para um político eslavo sonhar com a igualdade entre os cidadãos e o acesso aos bens e direitos, assim como uma maior democratização da informação, mas para nós é um sonho muito mais distante devido ao fosso da desigualdade que nos divide em castas de minoritários milionários, sofríveis medianos e uma enormidade de miseráveis sem acesso a uma informação confiável e de qualidade e que é conduzida como gado a caminho do abatedouro.

* desembargador do Tribunal de Justiça e Membro da Associação Juízes para a Democracia