A importância das habilidades, talentos e pontos fortes nas empresas

Nos últimos cinquenta anos a psicologia tem se ocupado do sofrimento e de aspectos confusos e doentes, mantendo o seu foco na patologia. No entanto, a doença e o sofrimento não se caracterizam como regra, no que se refere ao comportamento humano, e, sim, exceção. A nosso ver identificar e desenvolver as forças humanas é algo fundamental. Primeiramente para aumentar o bem estar e a felicidade (potencialização 1ª e 2ª) das pessoas. Ao trabalharmos nossas forças, empregando as mesmas no dia a dia, podemos ser mais eficazes, eficientes e felizes. Isso, por sua vez, ajuda a aumentar o bem estar, a felicidade, o senso de auto-eficácia. 

Em segundo lugar, identificar as forças ajuda a tornar o processo de diagnóstico e tratamento integral e completo (prevenção 2ª), uma vez que o processo de diagnóstico e intervenção terapêutica foca apenas no aspecto doença, e, o ser humano que procura psicoterapia é um ser integral, com aspectos saudáveis e até mesmo funcionais, por mais doente que esteja em um dado momento. Ao identificar as forças e recursos dos clientes podemos ajuda-los a se recuperar mais rápido.

Algumas empresas tornaram-se especialistas em identificar e tentar (tentar significa fazer e não conseguir) suprir as lacunas de competência de seus funcionários e colaboradores por meio de treinamento.  Desta maneira, ao trabalhar com a mentalidade ultrapassada de procurar corrigir, ou na melhor das hipóteses administrar os pontos fracos, as empresas despacham os funcionários para treinamento afim de que suas fraquezas sejam corrigidas. Vale lembrar que, este tipo de abordagem, tem seu lugar e muitas vezes faz-se necessária. O controle de danos (administrar pontos fracos – tentar suprir as lacunas de competência) é indispensável em certas ocasiões (por exemplo, ajuda a evitar o fracasso). Porém administrar pontos fracos não significa desenvolvimento. O controle de danos pode evitar o fracasso, mas nunca fará ninguém chegar a excelência.

O controle de danos, tomado isoladamente é uma estratégia pobre para desenvolver pessoas ou organizações. No entanto, algumas empresas passaram a adotar e a trabalhar com os pontos fortes, adotando novas premissas, como: 1. Os talentos de cada pessoa são permanentes e únicos. 2. O maior potencial para o crescimento de cada pessoa está em seus pontos fortes.

Talentos são definidos como padrões naturalmente recorrentes de pensamento, sentimento e comportamento que possam ser aplicados de forma produtiva e manifestados em experiências de vida caracterizadas por anseios, aprendizagem rápida, satisfação e atemporalidade. Os talentos são considerados inatos, uma espécie de matéria prima indispensável para o desenvolvimento de pontos fortes.

Desta maneira se você é instintivamente responsável, a responsabilidade é um talento. Se você é carismático, isso é um talento. Se você é persistente, isso é um talento.

Logo, de acordo com a definição supracitada, mesmo traços a primeira vista negativos podem ser chamados de talento se puderem ser usados de maneira produtiva. Por exemplo, a meticulosidade e o detalhismo, podem ser talentos se a pessoa se encontrar em uma função onde é necessário observar detalhes e ser meticulosa.

Pontos fortes são definidos como a capacidade de se ter um desempenho constante, quase perfeito, em uma determinada tarefa. Ponto forte é algo que você possa realizar bem, de forma consistente, e repetidamente. Além disso, você precisa obter satisfação com isso.

É importante esclarecer que não é possível desenvolver um ponto forte por meio da prática e da repetição. O desenvolvimento de pontos fortes, em qualquer atividade, pressupõe talentos naturais.

Em muitas funções podemos adquirir o conhecimento e as técnicas necessárias para um bom desempenho. Com isso, estaremos desenvolvendo uma habilidade, não um ponto forte. Porém, se não possuirmos os talentos necessários, jamais seremos capazes de ter um desempenho estável e quase perfeito (ponto forte) na mesma, bem como de extrair prazer e satisfação constantemente ao desempenharmos tal atividade.A chave para desenvolver um ponto forte é a identificação dos talentos dominantes que devem ser refinados com conhecimento e técnica.

Se você pretende se desenvolver realmente, as pesquisas atuais sugerem que identifique os seus talentos dominantes, e depois se empenhe em adquirir os conhecimentos e as técnicas para trabalhar seus pontos fortes.

A maior parte das organizações, com sua ênfase de tentar consertar pontos fracos, matricula seus funcionários em cursos e treinamentos, ignorando o quanto essa política pode ser pouco eficaz.

Se os pontos fortes podem ser considerados como as atividades que você desempenha com sucesso, que mais o energizam, e que o fazem sentir bem, a melhor pessoa para identificar seus pontos fortes é você. Talvez você precise de ajuda para identificar os sinais ou para perceber suas reações (emocionais) às atividades, mas mesmo com essa ajuda, não se esqueça de que você é a melhor pessoa para mapear seus pontos fortes. Ou seja, só você pode identificar com clareza as atividades que adora fazer (relacionadas aos pontos fortes) e as que detesta (relacionadas aos pontos fracos). Ninguém pode lhes dizer quais são as atividades que o deixam sentindo-se fortalecido e as que o enfraquecem.


*Mônica Portela é doutora em psicologia pela UFRJ; pós-doutora em psicologia pela PUC-RJ e diretora do PSI+ Consultoria e Educação.