Estresse, o mal do século

O estresse psicológico é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares, que respondem por mais de um terço dos óbitos nos Estados Unidos, corroendo os cofres do Tio Sam em nada menos que US$ 444 milhões em média anualmente. Estudo recente da Associação Americana de Psicologia (APA) aponta que aproximadamente 20% dos americanos sofrem com altos níveis de estresse.

No nosso país, o cenário é ainda mais preocupante: 34% dos brasileiros relatam níveis de estresse extremos e um terço dos entrevistados relatou ter apresentado elevação do estresse de um ano para cá, de acordo com o Instituto de Psicologia e Controle do Stress (IPCS).

O estresse ocupacional, um dos tipos mais comuns, é relacionado à forte pressão exercida pelas empresas na busca desenfreada por mais produtividade, sob uma carga de trabalho exaustiva, o que leva ao esgotamento mental em diversos casos e a complicações físicas.  

O panorama se torna ainda mais desafiador quando sentimos na pele o quanto as mudanças provocadas pela globalização maximizam a tensão a patamares exaustivos. Por conta disso, estratégias têm sido pensadas com o intuito de conter o estresse nesse contexto cada vez mais dinâmico e exigente. Dentre elas, o exercício físico e as suas mais diversas modalidades, a psicologia em grupo, a arteterapia e a musicoterapia.

Diversos estudos científicos testam a efetividade de programas de gerenciamento de estresse que conjugam atividades físicas com orientação psicológica. Exemplo disso é a reabilitação cardíaca, em que o acompanhamento psicológico já foi incorporado ao tratamento com exercícios físicos.

Mas, apesar da evolução da ciência no entendimento dos mecanismos de contribuição do exercício físico no controle do estresse, ainda não está claro como ele pode estar envolvido nas sensações de prazer e de bem estar. Acreditava-se que as endorfinas eram as principais responsáveis pela sensação de prazer entre a maioria dos praticantes. Contudo, foi visto que somente em exercícios prolongados e de intensidade moderada à alta estas substâncias são liberadas.

Em relação a exercícios que trabalham o corpo e a mente, os estudos sobre o Tai Chi Chuan, por exemplo, têm ganho espaço notório no cenário científico. Desenvolvido a partir das artes marciais, esse método, originária da China, consiste em um sistema de movimentos posturais que visam à melhoria da saúde física e mental através de três componentes básicos: movimento, meditação e respiração profunda.

O Tai Chi Chuan promove uma variedade de efeitos que podem ser quantificados a partir de aspectos físicos e psicológicos, como ganho de agilidade e equilíbrio, força dos membros inferiores e controle do estresse. Em alguns casos, a sua prática pode melhorar a aptidão cardiorrespiratória geral, a função imunológica e, no caso de indivíduos hipertensos, reduzir a pressão arterial.

Com tantos benefícios, não é por acaso que cada vez mais empresas vêm incorporando a sua atividade ao ambiente corporativo. Essa iniciativa tem a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos profissionais aliviando a rotina cansativa. Assim, além de proporcionar bem estar aos funcionários, reduz os custos que faltas e licenças médicas, com origem no estresse, causariam.  

Ao observar, com atenção, os movimentos executados numa aula de Tai Chi Chuan, a percepção é de que o tempo desacelera nesse pedaço de tranquilidade cercado de agitação por todos os lados. Essa impressão resume, de forma empírica, a importância dessa terapia, que trabalha, em sinergia, o corpo e a mente para a manutenção de um equilíbrio fisiológico adequado. Um sopro de calmaria em meio à tempestade.


*Consultor de Educação Física e Qualidade de Vida da Qualiforma