Seleção genética de embriões - o diagnóstico na reprodução assistida

Conforme noticiado recentemente “a seleção genética de embriões tem sido cada vez mais procurada por casais que temem ter bebês com doenças genéticas, problema mais comum quando a mãe é mais velha”.

Por primeiro, isto deveria ser confrontado com aquela notícia da Época, sobre a qual fiz breve comentário (Maternidade congelada), na qual grandes empresas ofereciam vantagens financeiras para que as funcionárias jovens congelassem seus óvulos, optando por uma maternidade tardia, onde justamente há o risco aumentado da incidência de genes de doenças graves.

Para isto –seleção genética de embriões - é utilizado o Diagnóstico Pré-Implantatório, que, diversamente do Diagnóstico Pré-Natal (o qual busca diagnosticar um sem número de anormalidades no feto, visando às possibilidades de sobrevivência ou desenvolvimento anormal) tem outros alcances bem mais avançados!

Como o DPI é feito antes de se implantar o embrião (que é o objetivo tratado nesta matéria por casais temerosos dos riscos nagravidez mais tardia), tal técnica implica na possibilidade de investigação da composição genética do embrião, ainda in vitro, ou seja, antes da implantação no útero da mulher.

Assim, podem ser descartados aqueles embriões com “características genéticas indesejadas” para implantar os embriões considerados “saudáveis”!

Avançando nesta linha, considere-se ser também possível trocar genes “não necessariamente disfuncionais, mas que o casal envolvido não quer preferencialmente em seus filhos”!

Aqui está o perigoso território das “escolhas” de componentes genéticos, que determinarão quem somos nós!

Daí, além de buscar “os genes de doenças graves”, adentra-se num campo altamente sensível, de natureza ética: a função seletiva que o DPI pode trazer para a área da reprodução assistida.

São muitos aqui os aspectos a serem considerados, mas, por ora, limito-me ao de sentido mais prático: como controlar os códigos de conduta dos profissionais da área médico-científica que desenvolvem estas técnicas, em Centros ou Clinicas especializadas em Fecundação in Vitro e Diagnóstico Genético Pré-Implantatório?

Como ter segurança que os médicos embriologistas ou geneticistas tenham sido avaliados e abalizados como legitimamente responsáveis e capazes de desenvolver estes serviços, considerando os temas sociais, legais e éticos envolvidos na utilização e manipulação deste material genético?

São muitas as Clínicas ditas especializadas, e a internet está aí, com sites que oferecem todos ostipos de “vantagens” para atrair potenciais clientes.

Por isto precisamos nos certificar se há autoridades médicas, superiores e neutras, que fiscalizem essas Clínicas.

Ainda assim surge um temor justificado uma vez que todo esse trabalho é feito no silêncio e no segredo dos laboratórios.

Como obter um controle efetivo do que ali ocorre?

Não há como retornar sobre essas técnicas, nem negar suas vantagens, mas se impõe que os Conselhos de Medicina se façam presentes, com visitas frequentes aos Centros, com avaliações e fiscalização para verificar a seriedade das clínicas e qualidade dos serviços.