Perigo coletivo

Com este título, a grande mídia enfocou o grave problema dos acidentes envolvendo os ônibus. Não foi por acaso que no meu livro “Trânsito, como eu o entendo”, no capítulo 12, quando trata do transporte público, tem como título: “O grande vilão”, exatamente por causa deles.

Consegui ser, para honra minha, “persona non grata” para os empresários de ônibus, por lhes haver colocado na linha, quando fui responsável pelo trânsito do Rio por duas vezes.

Terminei com o vergonhoso “bife” que premiava os motoristas que mais viagens fizessem, graças à ação do então ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho. Tirei-lhes a buzina, que funcionava como caixa de ressonância, no nível de ruído do tráfego. Coloquei o cano de descarga para baixo, no local de origem, passando a poder utilizar instrumentos de controle do teor de CO2 em periódicas vistorias em suas garagens, pelo Grupo de Exames Técnicos, que criara para este fim.

Lacrei, em 60 km, nas suas bombas injetoras Boch, a velocidade máxima que poderiam desenvolver, também verificadas periodicamente.

Criei uma Ordem de Serviço, ainda em vigor, obrigando a pintura no teto do número de série dos ônibus, a fim vigiá-los de cima, por helicóptero, ou por fotografias, de colaboradores voluntários, do alto de seus apartamentos, nos eixos principais de circulação, mantendo-os em fila, na sua faixa de rolamento.

Com o mesmo propósito, criei uma ronda permanente, de motociclistas, nas pistas do Aterro do Flamengo (Avenida Infante Dom Henrique) com o mesmo propósito.

Implantei o controle informatizado das multas, que anteriormente o “Nada Consta” era leiloado pelos funcionários desonestos, nos balcões do DETRAN, no fim de cada ano. 

Para fazê-lo, reuni todas as multas de ônibus de maneira abrupta, de surpresa, portanto, e as coloquei em urnas eleitorais lacradas e recolhidas aos cofres da Casa da Moeda, para o posterior processo de informatização, realizado pela IBM, para todas as multas. Pude então reparar as instalações sanitárias, da seção encarregada das multas, todas entupidas, com centenas  de multas deles. Por causa desta medida, que acarretou um aumento de 2 mil por cento na arrecadação do DETRAN, tive o meu carro oficial metralhado, quando estacionado em frente à minha residência, enquanto eu jantava, numa legítima ação de intimidação.

Como podem ver, motivos não faltaram para o meu honroso status de “persona non grata” para os que exploram o transporte por ônibus.

Tomei conhecimento deste galardão quando ofereci o meu livro sobre o Código de Trânsito comentado, aliado a palestras minhas para os motoristas, em suas garagens e que não obtive nem reposta, em face de ser eu o autor da proposta.

As medidas que adotei foram tomadas em estrito respeito à recomendação do mestre inglês Sir Alker Tripp, quando escreveu, em 1936: “No controle do trânsito tudo que se puder obter  através medidas construtivas, não deve ser imposto mediante restrições legais.”

A matéria, que motivou este artigo, considera a maioria dos acidentes fruto do excesso de velocidade, como viram, facilmente eliminado pelo controle da bomba injetora de combustível.

Preferem ignorar o aconselhamento de Sir Alker Tripp, obtendo uma excelente arrecadação em multas e um número elevado de acidentes, ou seja, entre a bolsa ou a vida, preferiram a bolsa. Apelo para que tenham a humildade de ouvir os mais velhos e, passem a preferir a vida, ao invés da bolsa. Ainda há tempo.