Tantos outros

“Minha experiência de Deus acontece no caminho e na procura, no deixar-me buscar”, já disse o papa Francisco. Ele olha o mundo a partir dessa experiência. Para o pontífice, o ser humano é tão rico para compartilhar que tranquilamente se pode trocar reciprocamente as riquezas uns dos outros.

Percebe-se hoje um papado que procura aliviar as tensões, em clara atitude de abertura e escuta.

Aonde quer que vá, Francisco reitera que devíamos refletir sobre como, enquanto cristãos, podemos expressar, neste mundo, o que efetivamente acreditamos e, assim, dizer alguma coisa às pessoas.

Quando vivenciamos aquilo em que acreditamos, eis que ele se torna mais uma vez compreensível para nós. E assim podemos expressá-lo de um modo novo. Contudo, a comunicação do que é cristão jamais é uma simples comunicação no nível racional, necessariamente envolve todo o ser humano.

Há hoje em marcha uma ideologia que reduz tudo o que existe a um comportamento de poder. Como se o poder fosse a nica categoria para explicar o mundo e a comunidade que nele existe. Uma aparente impossibilidade de mudança efetiva leva à tentação de nos entregarmos à impotência.

Mas, vivemos em uma cultura que começou a entender tais mecanismos. Muitos temos alguma percepção de que nosso consumo e nossa abundância estão diretamente ligados à pobreza de tantos outros.  Dá-nos o discernimento do que uma comunidade baseada em cooperação poderia ser.

Quando nos reunimos em uma pequena comunidade para refletir sobre nossas vidas, apoiar uns aos outros na ação, rezar juntos, podemos muito bem sentir que experimentamos a graça divina.

Decididamente, a graça está presente no centro de nossa experiência de comunidade e solidariedade.

 

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro.