Sua empresa sobrevive sem você?

O fundador da empresa havia começado sem grandes recursos. Consolidou seu negócio como uma grande indústria de material de construção, com uma fábrica moderna e cerca de 400 colaboradores. Repentinamente, enfartou e faleceu, aos 56 anos. A viúva nunca tinha trabalhado na empresa e os três filhos jamais haviam participado dos negócios do pai. O caso é verídico e foi um grande problema para esta organização. Surge então a pergunta: sua empresa está preparada para ter continuidade, caso você não esteja no comando?

As empresas familiares são uma forma determinante de negócio no mundo todo, inclusive no Brasil. Dados do Sebrae apontam que mais de 90% das empresas em nosso país são familiares. Diversificadas em tamanho, área de atuação, capacidade de atendimento, produtos e/ou serviços, todas têm algo em comum. São geridas por membros de uma mesma família, com a característica de manter na organização a convivência entre gerações, e possui inúmeras vantagens e desvantagens decorrentes do fato de ser uma organização de natureza familiar.

 A mortalidade precoce que aflige muitas empresas familiares é decorrente de conflitos entre parentes, causados principalmente por disputas pelo poder. Sem dúvida, a figura mais importante da empresa deste segmento é o fundador. O pai, o avô, aquele que desenvolveu e concretizou o negócio, é exemplo a ser seguido pelos familiares.

 A identidade de uma empresa familiar está pautada em quatro pilares, que foram adotados pelo fundador no início do negócio, como Palavra /Credibilidade; Perseverança; Carisma / Liderança; Cultura. A continuidade deve acontecer com o planejamento sucessório, além de inclusão de ações de governança corporativa, sendo este um instrumento de profissionalização e de transparência, que permite a redução dos conflitos entre parentes. É um sistema de regras de natureza procedimental, de cunho ético e moral, cuja finalidade é aumentar o valor da sociedade, facilitar o acesso ao capital e contribuir para a sua continuidade empresarial.

 Portanto, para manter a continuidade dos negócios de família é necessário determinar regras de conduta corporativa, além de promover a formação de sucessores que tenham o perfil do cargo a ser assumido, bem como vínculo com a cultura organizacional. Este é o caminho para perpetuação da empresa familiar e do sonho do fundador.

* Domingos Ricca, sócio-diretor da Ricca & Associados Consultoria e Treinamento  (empresa especializada em governança corporativa e sucessão familiar), é autor de livros na área de sucessão familiar.