Ficha limpa

As eleições sempre movimentam a sociedade como um todo. Os ânimos de candidatos e eleitores, de uma forma ou de outra, são “tocados” por conta de todo o contexto social em que o país se encontra.

Diante de tantas mazelas, de um lado florescem promessas, muitas repetidas a cada quatro anos. Por outro, a impaciência da população com as mesmas figuras, os mesmos discursos e atitudes que, ao longo dos anos, fizeram com que a credibilidade da classe política fosse abalada. Somado a isso tem outro fator que tem sido preponderante nas últimas eleições, a ficha limpa. Uma medida que, se levada a sério, pode significar um futuro mais transparente na política brasileira.

Durante a campanha, muitos estão sendo surpreendidos com a impugnação de suas candidaturas. Em se tratando de um Estado Democrático de Direito, no qual as regras servem para todos, tal medida é coerente, já que qualquer cidadão ao querer ingressar no serviço público, via concurso, também é avaliado e investigado sobre seus antecedentes criminais.

Nesta corrida eleitoral de 2014, alguns nomes já foram impedidos de disputar o pleito enquanto outros, estrategicamente, renunciaram à candidatura para fugir do constrangimento. No Rio de Janeiro, alguns dos candidatos a governador estão passando pelo problema e podem vir a protagonizar um fato histórico na vida política daquela que já foi a capital do país.

A Procuradoria Regional Eleitoral do Estado informou nesta semana que pediu a inelegibilidade de um dos candidatos, além de seu vice, sob a alegação de abuso de poder político e econômico, entre outras. Situações similares estão sendo enfrentadas por outras chapas, e a percepção é que a cada nova eleição esse cerco vai apertar, trazendo pouco a pouco para a população, a sensação de resgate da moralidade nesse setor. Vale ressaltar que pretendentes à Assembleia Legislativa também estão na mira da investigação e correm o mesmo risco.

Enfim, o fato é que, além da procedência de cada candidato, é notória a necessidade de uma mudança na forma de fazer política no Brasil. As velhas práticas do coronelismo ainda são evidentes, o assistencialismo em troca de votos, entre tantas outras barganhas arcaicas que ainda insistem em sobreviver.

A esperança de cada cidadão brasileiro é que estejamos evoluindo e que em breve em cada setor do Executivo e do Legislativo a filosofia e o modo de pensar política estejam renovados, onde o bem comum seja a prioridade.

* Marcos Espínola é advogado criminalista.