A geração "nem, nem" e os profissionais des, des

Uma população de 9,6 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos não trabalha nem estuda. É o que revelou a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (29/11). Jovens que não encontram espaço no mercado de trabalho, formada principalmente de mulheres, muitas delas com filhos, não demonstram interesse em procurar emprego e também não querem saber de continuar a estudar. Um dado alarmante, que revela o tamanho da bomba-relógio que ameaça o futuro do Brasil.

Os chamados "nem, nem" são jovens desinteressados que nem estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. Num cenário de baixo desemprego e de economia em expansão, esta é uma parcela importante de brasileiros que não está participando do desenvolvimento experimentado nos ltimos anos.

Segundo a pesquisa, os indicadores mostram que 70,3% dos jovens que não trabalham e não estudam são mulheres. Além disso, a escolaridade foi vista como fator primordial para a participação nas atividades econômicas do país. Quanto maior a escolaridade dos pais, maior a frequência do jovem à escola. Isso explica a falta de interesse, pois o grupo que nem trabalha  nem estuda mora com a família e acaba tendo como referência alguém que não deu continuidade nos estudos.

O fato é: os jovens precisam ser estimulados e orientados. Como não encontram estímulo em casa, a escola passa a ter o papel crucial de ajudá-los nesta busca por um caminho a seguir. Acontece que ainda não somos exemplos no quesito educação, e o grande referencial da sala de aula é o professor.

O professor tem um papel fundamental. É preciso qualificá-lo, dar-lhe condições pedagógicas e melhorar substancialmente sua remuneração. Um professor bem preparado e motivado é meio caminho andado para despertar no aluno o desejo por aprender, participar da sociedade e exercer seu papel de cidadão. Além disso, são necessários investimentos maciços em educação pública, desde a primeira infância, passando pelo ensino fundamental e médio.

Temos uma juventude sedenta por mudança, com enorme potencial para transformar o país, fazer avançar a democracia e reduzir a desigualdade social. Não podemos permitir que ela se imobilize, se sinta desmotivada por não conseguir visualizar o caminho que deve seguir. Caso contrário, os 9,6 milhões de jovens “nem, nem” de hoje, serão certamente os profissionais desmotivados e despreparados – “des, des” – de amanhã.

* Gilberto Alvarez Giusepone Jr., especialista em Enem, é diretor do Cursinho da Poli (SP).