Cidadãos x cidadãos

A verdadeira batalha registrada ao longo da ltima semana no Centro do Rio de Janeiro é o que pode acontecer de mais lamentável numa sociedade. Obviamente, não pelo apelo democrático mas pelas tristes cenas a que assistimos, onde duas categorias de servidores pblicos tiveram que se enfrentar, esquecendo-se de que todos estão no mesmo lado contra as incoerências e intransigências do poder público.

Cazuza cantava que “os meus inimigos estão no poder”. Em verdade, é essa a sensação que temos. O autoritarismo dos vereadores em aprovar na marra o plano que queriam, não permitindo o acesso do povo nas galerias, fere o Estado Democrático de Direito e nos remete a um passado obscuro da ditadura, na qual o autoritarismo imperava. O aparato de guerra para impedir a presença dos professores na Câmara de Vereadores foi um ato que fere a cidadania em sua essência.

E nesse caso os cidadãos que sofreram com spray de pimenta no rosto foram nada mais nada menos do que educadores. Professores lutando por melhores condições de trabalho e salário mais digno. Do outro lado, no exercício do seu dever, estavam os policiais, que também carecem de melhorias, mas que precisam atuar na manutenção da ordem pblica.

O que vimos nessa semana, tirando as ações dos vândalos que nada têm a ver com qualquer manifestação íntegra, foram cidadãos trabalhadores, professores e servidores pblicos em confronto com outros cidadãos, também trabalhadores, agentes de segurança e servidores públicos. Um cenário deprimente. Fruto de uma equivocada visão política, na qual o valor da educação e a formação cidadã não são priorizados.

* Marcos Espínola é advogado criminalista.