Oportunidade para crescer

O Brasil tem obtido bons resultados na economia, especialmente na comparação com outros países que não conseguiram escapar dos reflexos mais perversos da crise global. As perspectivas para a economia brasileira no segundo semestre são de acomodação do crescimento — o que, nas atuais circunstâncias, é uma vitória. Um maior e mais rápido crescimento depende de ações acertadas de investimento do governo e do empresariado, e é bom saber que existem as condições para que isso ocorra.

A oportunidade está aberta para que o Brasil vire o ano crescendo. É preciso resolver os gargalos em infraestrutura, Educação e inovação, com investimento tanto do governo, que tem tomado medidas nesse sentido, quanto dos empresários, que não têm motivo para perder a confiança na economia brasileira.

O cenário para essa recuperação na confiança vem sendo aplainado pelo governo, com a desoneração de tributos para a produção industrial e com as concessões que irão viabilizar as reformas estruturais de que o país tanto necessita.

No primeiro semestre, o Brasil conquistou bons resultados, mesmo em meio à crise econômica mundial. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta de 1,5 % entre abril e junho, na comparação com o trimestre anterior. A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que aponta o quanto as empresas aumentaram os seus bens de capital, subiu 9% em relação ao mesmo período de 2012, um claro sinal de aumento da capacidade de produção do país e da confiança dos empresários no futuro. Já a taxa de desemprego recuou novamente em agosto e chegou a 5,3%, o menor índice desde dezembro de 2012, segundo pesquisa feita pelo IBGE em seis regiões metropolitanas do país.

Um estudo do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea) confirma a tendência de acomodação no crescimento econômico do Brasil para os dois últimos trimestres de 2013, o que o próprio instituto considera natural e, em meio ao atual cenário externo, positivo.

Acertadamente, o governo da presidenta, Dilma Rousseff, vem cuidando de criar as condições para a manutenção de bom cenário na economia brasileira — tanto a curto quanto a médio prazo. As desonerações e concessões devem garantir o apoio do setor privado para o desenvolvimento nacional. Além disso, a recuperação da presidenta nas pesquisas e a recomposição de seu apoio no Legislativo são garantias de estabilidade política e governabilidade, o que ajuda a criar um ambiente favorável aos investimentos.

Segundo Cláudio Hamilton, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, os impactos positivos das medidas do governo não vêm de uma hora para outra. Mas, assegura, as concessões, associadas a maior dinamismo do setor externo e recuperação do consumo, irão preparar um futuro melhor, que deve ser sentido já alguns trimestres à frente.

É dessa aliança entre investimentos públicos e privados que o país precisa. A sólida política econômica conduzida pelos governos do PT nos últimos dez anos resultou num modelo de desenvolvimento inclusivo, que tem como base o fortalecimento do mercado interno, a geração de emprego e a melhoria da renda. Não podemos desperdiçar essa vantagem construída a duras penas e em meio a uma árdua disputa política com os defensores do neoliberalismo e do rentismo. Temos possibilidades excepcionais a nossa frente. Vamos aproveitá-las.

*José Dirceu, advogado, foi ministro da Casa Civil e é membro do Diretório Nacional do PT.