Quem com ferros fere, com os fatos será ferido

Caros cocidadãos cariocas, habitantes deste estado, pais e/ou responsáveis dos milhares de estudantes da rede pública estadual, estamos vivendo momentos difíceis. Estou professor nesta rede e sou testemunha do quanto o papel das escolas estaduais representa elevada importância na preparação e formação de nossos jovens e adultos. Mas saibam vocês que há muito a ser dito sobre a realidade a que todo o corpo escolar está submetido.

Não estou aqui para inventar histórias. Tenho o compromisso social de lhes contar como seus filhos e/ou parentes vivenciam a realidade nas escolas. A começar, a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro espalha inverdades sobre os professores. Esta Secretaria, que se apresenta como mantenedora de políticas que visam o desenvolvimento de seus profissionais, mente descaradamente. As decisões tomadas são arbitrárias e não visam o desenvolvimento das competências de nossos estudantes. Nossos professores não são estimulados a continuarem a estudar, muito pelo contrário, aqueles que por conta própria tomam essa decisão são obrigados a se ajustar sem prejuízo das aulas, ou seja, não possuem oportunidades claras de afastamento para estudo.

A Secretaria também inventa estória quando diz aos cidadãos que nossos estudantes são prejudicados pela greve. A greve pelo menos indica de forma clara e transparente a ausência das aulas. Entretanto, durante a normalidade das aulas, quando pais e/ou responsáveis acreditam que seus filhos estão estudando e se desenvolvendo, eles estão sem aula. Ora pela ausência dos professores, que doentes se afastam das salas de aula, ora pelo descontentamento provocado pelas medidas arbitrárias da Secretaria, que desmotivam os profissionais. Ou seja, nossas salas de aula podem estar lotadas de alunos, mas esvaziadas de conhecimento e informação.

Vivemos imersos na metáfora do fingimento, a Secretaria finge que se importa e os professores fingem que acreditam. E o resultado: estudantes sem perspectivas.

Diante da quantidade imensa de informações, a sociedade precisa saber a verdade dos fatos. As escolas estaduais do Rio de Janeiro são depósitos de frustrações. Frustração dos profissionais da educação, que não conseguem explorar o máximo de seus potenciais; frustração de estudantes, que não aprendem a sonhar e frustração da família, que acredita numa escola que mascara a realidade do coletivo para atender o privativo.

Sou profissional da educação, e juntos somos mais fortes!

* Cristiano Xavier, professor de sociologia, é cientista social .