Procuram-se líderes

Até os anos 60, a política mundial tinha alguns nomes que se sobrepunham aos demais, tanto pelo que os seus países representavam como também por suas figuras em si, e esses líderes acabaram servindo como exemplo, em várias nações. Entre tais nomes poderíamos citar Tito na Iugoslávia, Kennedy nos Estados Unidos, Nikita Kruchev na antiga União Soviética, De Gaule na França, Churchil na Inglaterra, Nasser no Egito, Selassié e até mesmo Fidel Castro, entre outros.

Abaixo da linha do Equador, poderíamos dizer que não havia nenhuma figura de destaque mundial, e isso acabou motivando o então presidente Jânio Quadros, que usou e abusou do populismo para se destacar. Mas a sua curta carreira à frente do país acabou ceifando os seus planos.

Depois de Jânio, tivemos o parlamentarismo que culminou no militarismo, que durante duas décadas mandou no país. Não vamos aqui falar desse período, até porque quem viveu essa época guarda lembranças que, embora não devam ser esquecidas, podem perfeitamente ser deixadas de lado. Vamos falar de renovação. A Revolução de 1964 teve um desdobramento que poucas vezes é lembrado: ela acabou inibindo o aparecimento de líderes, e as consequências ainda podem ser sentidas.

Quando falamos no assunto, podemos abrir o leque e chegarmos a outros segmentos, sejam eles na economia, na educação e na ciência. Citemos apenas alguns, nesses segmentos: Celso Furtado, Simonsen, Paulo Freire, Euríclides de Jesus Zerbini; no esporte, Didi, Pelé, Ademir da Guia, e tantos outros.

Quando precisamos de um profissional, fazemos um anncio nos jornais ou na internet, e esperamos pelo currículo do interessado. E quando precisamos de líderes, o que fazemos? Quais são os verdadeiros líderes que temos no “mercado”? Não será surpresa se muitos leitores vierem contra o que estamos dizendo, e certamente citarão este ou aquele nome, cuja quantidade não chega a atingir o número de dedos que temos nas mãos. Escassez de talentos? Pode ser, mas não deixa de ser bastante preocupante.

Uma nação do nosso porte não pode ficar à míngua de talentos, sejam eles da área técnica, humana e, principalmente, política. Gente que possa, de fato, mostrar a nossa força, principalmente nos dias de hoje em que as grandes potências começam a abrir as suas portas e olhar de maneira diferente para as nações menos desenvolvidas.

Precisamos de líderes capazes de falar em igualdade, — respaldados política, econômica e culturalmente —, com interlocutores de todas as nações. Infelizmente, perdemos essa condição, resultado de um período que castrou ideais e que resultou em uma política quase estéril. Mas, algo ainda pode ser feito. Os jovens que outro dia saíram às ruas precisam ter consciência disso, e ver a política com outros olhos. Essa renovação pode ter em seu âmago qualquer ideologia, só não vale trazer de volta os velhos vícios, tão nocivos para todos aqueles que ainda acreditam neste país.

*Vitor Sapienza, economista e deputado estadual (PPS), foi presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e é agente fiscal de rendas aposentado. - www.vitorsapienza.com.br