Copas das elites 

Como sabemos, o Brasil é a grande vitrine do futebol mundial. Somos, segundo eternizou Nelson Rodrigues, a pátria de chuteiras. O Rio de Janeiro está diretamente ligado a essa máxima, e o Maracanã foi palco de espetáculos inesquecíveis, tendo pisado em seu gramado os principais nomes da história do futebol. Depois de 60 anos, sediarmos uma nova Copa, e termos o povo de fora da grande festa é um absurdo, com o que uma parcela excessivamente capitalista desse esporte pouco se importa.

Após tantos anos de clássicos que arrastaram multidões, com públicos que ultrapassaram a margem de 200 mil pessoas, o velho e bom Maracanã se elitizou. A essência de sua existência, a massa popular, principalmente os saudosos "geraldinos" perderam sua vez. As arquibancadas de concreto, na qual as torcidas se aglomeravam e empurravam seu time num verdadeiro espetáculo de paixão, também perderam seu espaço, limitando-se a apertadas cadeiras que diminuíram pela metade a capacidade do maior do mundo.

E essa elitização fica ainda mais deflagrada nesta Copa das Confederações. Obter os ingressos é uma verdadeira loteria. E aqueles que conseguiram, o fizeram mediante um alto aporte financeiro, fora da realidade da maior parte do povo brasileiro. Na contramão da maioria das histórias dos craques brasileiros, hoje milionários, que nasceram em comunidades carentes, a atual gestão do futebol brasileiro e mundial, excluem o telespectador pobre, representante do povo. Representante das origens desses mesmos jogadores, do futebol gingado, moleque, habilidoso.

Os estádios reformados por todo o país podem ter inovação, beleza e a cara da Fifa, mas nunca mais terão a verdadeira identidade de quando foram erguidos, ou seja, a cara do povo brasileiro, celeiro do futebol mundial. A Copa das Confederações e a do Mundo são para as elites.

* Marcos Espínola é advogado criminalista.