EUA contra o terrorismo

André Luís Woloszyn*

O pronunciamento realizado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, sobre suas intenções em revisar as táticas de ataques com aviões não tripulados e o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, não trazem nenhuma alteração para o atual modelo de atuação adotado pelas Forças Armadas e de segurança  norte-americanas.

Aproveitando-se de semanas seguidas de escândalos internos que enfraquecem sua imagem institucional, Obama usou da astúcia e da estratégia ao tocar em um ponto crucial e polêmico para a opinião pública estadunidense. E, de certa forma, ressuscitou uma antiga hipótese como nova ameaça, que sempre esteve presente nas avaliações de experts em contraterrorismo. Os atentados praticados por indivíduos isolados, sem vínculos formais com redes terroristas, conhecidos como   “os lobos solitários”,exemplos dos atentados na Maratona de Boston e em Londres, com o assassinato de um militar britânico. 

Quanto à polêmica utilização de aeronaves não tripuladas, o assunto veio à tona com o episódio que resultou na morte de dois jornalistas e médicos humanitários no Afeganistão em 2011, confundidos com integrantes do talibã, um caso, dentre outros, considerados assuntos confidenciais.  E as mudanças propostas por ele são de que ações envolvendo drones só poderão ser realizadas se o suspeito não puder ser capturado e quando houver certeza sobre o alvo. Obviamente que, no Afeganistão, um  país montanhoso, dificilmente um suspeito poderá ser preso com facilidade, aliado ao fato de que estão, geralmente,  misturados à população, o que se torna difícil para obter um juízo de certeza sobre quem seja o alvo. Em outros países como o Iêmen, por exemplo, o quadro não é diferente no que se refere aos insurgentes e à população. 

Com relação ao fechamento da prisão de Guantánamo, símbolo da guerra contra o terrorismo do governo de George W.Bush, na década passada, trata-se mais de um símbolo institucional da defesa dos direitos humanos do que propriamente uma necessidade nos dias atuais. Já chegou a ter 684 presos e atualmente possui apenas 166. Seu fechamento, conforme Obama prometera na primeira campanha presidencial, em 2009, seria uma vitória pessoal dele e dos movimentos de direitos humanos, mas não significaria uma mudança na tática de combate ao terrorismo. Sabe-se que, pelas revelações de documentos confidenciais no site Wikileads, existem outras bases secretas espalhadas por diversos países que abrigam terroristas ou suspeitos de terrorismo.

Emfim, os esforços do presidente Barack Obama são louváveis, e há muito ele luta contra o paradigma que envolve  a  atuação norte-americana quando o assunto é terrorismo e insurgência. E os  últimos atentados vêm demonstrando que, de fato, são necessárias novas estratégias para se tratar do problema que se apresenta como uma tendência para os próximos anos.   

*André Luís Woloszyn é analista de Inteligência Estratégica.