A história se repete

Há quase sete anos, dois pilotos norte-americanos, Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que comandavam o jato Legacy 600 da Embraer, da empresa ExcelAire, estiveram no Brasil e mataram 154 pessoas inocentes no voo Gol 1907. Na época, devido aos trâmites legais, mesmo depois de presos, estes mesmos pilotos voltaram ao país de origem e continuam em liberdade, mesmo condenados no Brasil em segunda instância até o momento no processo criminal, e já condenados em última instância no processo administrativo da Anac/Decea.

Agora o drama se repete na Bolívia. Mais uma vez, a banalidade tira a vida de um inocente. Desta vez, 12 envolvidos num acidente com sinalizador em um estádio de futebol, estão presos em um país estranho, mas o “verdadeiro” culpado, um menor de idade, conseguiu voltar ao Brasil. O pior de tudo, mesmo havendo tratado de extradição com a Bolívia, a lei protege o criminoso por ser menor de idade, e este não poderá ser deportado e assim pagar pelo crime que cometeu. Novos personagens para a mesma história de impunidade. Até quando isso acontecerá? Já não passou da hora de darmos um basta na impunidade e cobrar das autoridades responsáveis punição para os crimes cada vez mais frequentes? Será mesmo que o menor é o autor deste crime e não apenas uma desculpa para deportar os verdadeiros culpados? 

Oportuno acrescentar que existe em Brasília a Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 — fundada em 18 de novembro de 2006, pouco depois da tragédia, com o objetivo de reunir e organizar os familiares e amigos das vítimas do acidente aéreo, para lutar pela defesa de todos os direitos e interesses dos que sofreram e sofrem com a morte de entes queridos. A Associação busca a justiça em todas as esferas administrativas e judiciais (cível e criminal), para que os culpados pelo acidente sejam responsabilizados. É possível manifestar apoio seguindo o microblog Twitter no endereço @rosanegutjhar e também no Facebook em www.facebook.com/rosane.prgkeb?ref=ts. 

*Rosane Gutjhar é viúva de Rolf Gutjhar,  uma das vítimas do voo 1907 da Gol.