Santa Catarina e a “síndrome das janelas partidas”

Estamos vivenciando o pesadelo da escalada da violência urbana ensaiada por um bando de descontentes, em resposta à atuação eficiente da polícia catarinense no combate às drogas. A atual onda de protesto está se alastrando para um impasse perigoso.  Prenúncio de um terrorismo urbano de caráter não ideológico. Mesmo com a presença das forças federais, os acontecimentos estão se alastrando, onde se pergunta o porquê de tanta ousadia. Por sua vez, é obrigação da mídia (imprensa, rádio e televisão) informar a população sobre todos estes fatos, como um alerta de problemas que estão por trás destas manifestações.

A nosso juízo, há um erro de enfoque pela mídia televisiva ao divulgar estes acontecimentos. A experiência tem demonstrado que quanto mais se toca na tecla de uma determinada violência, mais ela tende a se alastrar. A divulgação direta, ao vivo, de manifestações de uma revolta levanta ressentimentos que estão no fundo da psique humana. Qualquer um de nós, mesmo como pessoas de alto senso de equilíbrio, é tomado de certa revolta por estes acontecimentos. Mesmo para este grupo social mais íntegro, as coisas não param por aí. O sentimento de frustração se alastra através do tecido social até as pontas finais da sociedade mais vulnerável ao espírito crítico. Como consequência, explode em violência sem limite.

Nossa juventude está impregnada de sentimentos de ódio e vingança, inoculadas por      filmes, novelas, videogames. Como diz o refrão, violência gera mais violência. Amor gera mais amor. Assim, quanto mais a mídia (particularmente a televisiva) mostrar a violência, mais ela aumenta. Não estamos fazendo apologia da censura, mas há a necessidade de se procurar ser mais ético na informação. No sentido prático, as notícias devem ser divulgadas em forma de reportagem/informação, mas sem amostra dos atos de vandalismo. No primeiro momento, sim, para que a população sinta o grau da violência. As próximas ocorrências do mesmo tema, somente informações, números estatísticos, valores de danos privados; sem novas divulgações sinistras. Infelizmente, as notícias não são dadas assim. Quanto mais se mostra cenas reais de veículos, casas, propriedades sendo incendiados, mais se inflama o ódio. A notícia dos atos de vandalismo incendiário foi atribuída até agora às drogas. Entretanto, depois de se ver as estatísticas, vemos que o que está aflorando é um iceberg sinistro de insatisfações da sociedade. São outras formas de descontentamento não relacionadas à droga. E isto não é bom, pode até se alastrar pelo país.

Na grande maioria dos jovens, além do problema das drogas, está intrínseco o problema da desagregação familiar, do desemprego, vazio existencial. Pior que tudo isso, ainda se encontram nas altas rodas políticas propostas de aumentar, fomentar e prestigiar outras formas de arranjos familiares em afronta ao modelo das leis naturais. Os jovens estão perdidos! 

Todos nós já presenciamos quando um prédio, uma casa, um galpão fica vazio por muito tempo, por abandono. Logo, logo, se alguém jogar uma pedra para quebrar uma vidraça, haverá outro que fará o mesmo até o ponto de destruição total. Não se trata de revolta pela pobreza. É algo que tem a ver com a psicologia humana nas suas relações sociais. Este comportamento é chamado de "síndrome das janelas partidas”. Será que tal síndrome está atingindo o Estado, pelo desgaste moral da sociedade? 

* Sergio Sebold, economista de Santa Catarina, é professor.