Fatal é o erro

Se o marketing quer estimular e lançar produtos que respeitem o meio ambiente, a ética funciona como marketing dos valores. Daí que grandes grupos empresariais formulam regras de boa conduta e prática profissional.

Na moderna sociedade democrática, calcada em valores de segurança e saúde, a negação do parâmetro ético tornou-se não só falta moral mas, sobretudo, erro de comunicação, que custa caro. No momento de escolher um produto, os consumidores levam em consideração a relação aos valores morais e o respeito ao meio ambiente.

Daí o aspecto instrumental da ética dos negócios comandada pelos interesses vitais das empresas.

Fundos de poupança estabelecem perfis éticos de empresas cotadas em bolsa. Valorizam empresas que oferecem a perspectiva de crescimento durável não buscando o lucro máximo com o máximo de riscos.

Acionistas individuais são cada vez mais sensíveis à ética, a maioria deles disposta a vender suas ações se a empresa na qual investiram provoca algo grave, julgado socialmente não responsável. Quanto mais são exigidos níveis de rentabilidade elevados dos capitais investidos, mais a gestão ética ascende.

A vontade coletiva de proteção e a aplicação igualitária da lei favorecem a luta contra a corrupção política e intensificam a preocupação com a ética no mundo dos negócios. Mas isso não impede de identificar os limites do fenômeno, os impasses e até mesmo as contradições da gestão por meio de valores.

Conhecemos as desventuras de projetos que enfatizam os valores partilhados, a comunicação, a transparência, a responsabilidade de todos, não tendo tradução concreta na realidade cotidiana das empresas. Sem mudança efetiva, que possibilite as condições de reconhecimento e de formação, a administração ética reduz-se, na melhor das hipóteses, a um mero conjunto de fórmulas de boa intenção. 

Fatal é o erro que negligencia a dimensão humana e subestima, numa cultura individualista, tudo aquilo que pode favorecer o bom ambiente nas equipes, a valorização dos papeis profissionais. Discriminações de todo tipo no local de trabalho, exploração dos mais jovens violam o princípio do respeito à pessoa.

 

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro.