Reflexões de fim de ano

A humanidade perplexa testemunha a generalidade da violência que assola em todos os sentidos. Do ataque impiedoso a uma pacata escola à barbárie das organizações criminosas, deixam rastro de destruição, inclusive com graves sequelas na sociedade: massacres físicos e psicológicos, ou, ainda, na invasão deliberada e unilateral de uma nação.

Precisamos de uma união universal pelo respeito, pela cidadania e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, pelo cumprimento da lei, pura e simplesmente. O investimento tem que ser feito maciçamente no homem, na sua formação moral e intelectual. Alicerçados pelo caminho da sociabilidade desde jovem visando um futuro promissor. Vamos todos partilhar nossas ideias, balizando a pesquisa e a cooperação como instrumentos benéficos na melhoria da raça humana. O homem precisa entender que o sangue tem que continuar irrigando os nossos vasos e oxigenando vidas. E não ser derramado nas trincheiras da discórdia e da irracionalidade.

Dos episódios mais degradantes que abalaram a humanidade no século 20, as duas grandes guerras mundiais (1914/1918) - (1939/1945), foram as mais devastadoras. Interromperam sonhos - não aconteceram os tão almejados Jogos Olímpicos de 1916, 1940 e 1944, em razão dos conflitos. Arrastaram uma avalanche de milhões de vidas humanas ao mundo da inexistência material. O calendário cronológico é o espelho da história, que nos induz a repensarmo sem nossos valores e acreditarmos que não há um caminho na direção da paz. Mas, simplesmente, cada um ser o ator da paz. "A paz começa com um sorriso" -ensinava Madre Teresa de Calcutá (1910-1997).

Precisamos ser o enfermeiro deste vasto hospital que é o mundo, munidos com as armas de longo alcance da concórdia, da tolerância, da solidariedade e do compartilhamento. O mundo somos todos nós. Comungamos de todos os credos sob a mesma luz que rege o grande Planeta Azul, a Terra, não importam raças nem tendências religiosas, e, sim gente.

Juntos, façamos deste Planeta uma grande mesa conciliatória, resgatando o homem mergulhado na obscuridade absoluta, do conhecimento e do convívio social com o manto da dignidade humana. A coisificação do homem nas grandes periferias que desonra todas as sociedades precisa ser compreendida e ser foco de projetos arrojados, como o limiar de um novo tempo. Do cidadão, parte indissolúvel da comunidade, participativo e fraterno: e a educação como a sua fonte perene do conhecimento. Sem perder o olhar no homem do campo contendo o êxodo rural,com políticas agrárias voltadas para a sua fixação na terra, para que ele trabalhe não somente pela sua subsistência mas, também, que o suor derramado seja transformado nos louros da sua prosperidade.

Não ao cerceamento da liberdade e da brutalidade do trabalho escravo. Não a todos os tiranos e à corrupção que destrói, em larga escala, vidas e sonhos.Não à violência covarde contra as mulheres, crianças e indefesos. Não ao racismo intolerável e à degradação sistemática dos povos indígenas;alimentada, sobretudo por políticas caóticas na questão fundiária e,consequentemente, o avanço implacável do agronegócio em suas terras. Paz!

* Brasilmar Nascimento Araújo, articulista e poeta. - [email protected]