2013 promete; o bicho vai pegar!

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, cunhou uma expressão que deu o que falar: “Em 2013 o bicho vai pegar”. De minha parte, digo a mesma coisa de outro jeito: “2013 promete!” 

Senão, vejamos o que se prevê para 2013, ano sem eleições e, em princípio, sem grandes acontecimentos, ou extraordinários, à vista no horizonte.

Mas basta falar em meia dúzia de coisas previstas para o ano, para dar-se conta de sua importância: formulação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), a cargo da Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo) e Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica (Ciapo), até o final do primeiro semestre; formulação da Política Nacional de Abastecimento Alimentar, já discutida no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a ser encaminhada por diferentes órgãos do governo federal como Conab, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Ministério da Agricultura (Mapa); encaminhamento de um novo Marco Regulatório para as relações entre governos e organizações sociais, especialmente para as chamadas ONGs (Organizações Não Governamentais), em debate e encaminhamento na Secretaria Geral da Presidência da República; construção e formulação da Política e do Sistema Nacional de Participação Social, pela Secretaria Geral da Presidência da República; construção e formulação da Política Nacional de Educação Popular e Cidadã, também sob responsabilidade da Secretaria Geral da Presidência; regulamentação da Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em debate e  encaminhamento pela Secretaria Geral da Presidência, Funai e outros órgãos do governo federal.  

É um ano, portanto, de definições e avanços. E muito trabalho. Cumpridos os programas e políticas acima listados, alguém já poderia dar-se por satisfeito. Há, porém, muito mais. Estão previstas quase duas dezenas de Conferências Nacionais, algumas com conclusão em 2014, como a de Educação, das Cidades, do Esporte, de Cultura, de Desenvolvimento Regional, de Brasileiros no Mundo, do Esporte, do Meio Ambiente, de Segurança Pública, de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, de Promoção da Igualdade Racial, de Defesa do Consumidor, de Saúde Indígena, que envolverão centenas de milhares de educadores, militantes sociais, lideranças comunitárias e agentes governamentais. 

Não se falou ainda de economia, do Brasil Sem Miséria, dos preparativos para a Copa do Mundo e Olimpíadas, da demarcação de terras indígenas e quilombolas. 

2013 não será apenas um ano de semear. Será um ano também de colher. Se o mundo está em crise, é no Brasil, na América do Sul e Latina que está a esperança e uma perspectiva de futuro. Não por acaso estão nesta parte do continente governos de esquerda, progressistas, democrático-populares. Não por acaso, neste que sempre foi um subcontinente, há organizações e movimentos sociais e populares que continuam lutando pela transformação econômica, social e cultural e que por primeiro abrigaram o Fórum Social Mundial dizendo, e construindo, "um outro mundo possível".  

Pode-se, pois, sim, dizer "o bicho vai pegar". É preciso avançar na democratização do Estado e na participação social e popular. É preciso e possível pensar em reformas estruturantes como a política e a do Estado, a agrária, a tributária, para poder avançar na igualdade e justiça social, na melhor distribuição de renda, na ética na política, na melhoria da qualidade de vida de brasileiras e brasileiros, especialmente as/os mais pobres e trabalhadoras/es. E igualmente pode-se falar "2013 promete!". Promete trabalho e luta, promete organização social, consciência de valores como solidariedade, fazer coletivo, partilha, respeito às diferenças, garantia da biodiversidade.  

2013 é o ano! Pode/deverá ser um ano emblemático, a passar para a história, como outros, por diferentes motivos e circunstâncias, passaram – 1968, 1989, 2002. As condições estão dadas. Há um despertar da sociedade. Há governos que sopram a favor. Quem acredita, pode fazê-lo. Quem sonha, pode construí-lo. 

* Selvino Heck é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República.