UPP e o tráfico

As Unidades de Polícia Pacificadora já renderam todos os tipos de elogios possíveis. Iniciativa pioneira no Brasil, trouxe a milhares de moradores de comunidade um novo estilo de vida, com mais segurança e dignidade. Mas desde o início sabíamos que essa medida seria (ou deveria ser) irreversível, ou seja, a presença do policiamento é crucial para a continuidade do objetivo principal. Mas, para isso, as condições de trabalho para esses policiais devem ser diferenciadas, mas não é bem assim que vem acontecendo.

Infelizmente, as notícias que nos chegam são de que o tráfico está de volta. Para muitos, ele nunca saiu integralmente. Independentemente disso, o mais preocupante são relatos divulgados na imprensa de que os policiais que ali estão não aguentam mais e pedem socorro por estarem acuados pelos traficantes que pouco a pouco voltam à velha ousadia e já portam fuzis em determinados pontos.

Diz o ditado que onde há fumaça, há fogo. Entendemos o quanto é complexa essa situação e o quanto foi difícil uma estratégia que retomasse os principais morros dominados pelos criminosos. Mas, passada toda a tensão do começo, era previsto que haveria outras etapas tão importantes e delicadas quanto a invasão propriamente dita. Fraquejar agora é, no mínimo, uma grande decepção para toda a sociedade.

Vale o alerta para os responsáveis pela segurança pública repensarem as estratégias para que todo o trabalho não seja comprometido. Agilidade e inteligência neste momento são fundamentais para a continuidade do projeto, o seu sucesso e essencialmente para o bem-estar dos policiais e moradores que ali estão.

* Marcos Espínola é advogado criminalista