Leonídeos

Todos os anos, em meados de novembro, a Terra mergulha na poeira de partículas deixada pelo cometa Tempel-Tuttle em sua trajetória ao redor do Sol. Durante alguns dias, a maior parte destas partículas choca-se com a atmosfera superior da Terra à velocidade de 71 quilômetros por segundo. O atrito de cada um destes corpúsculos com as moléculas da alta atmosfera terrestre produz um rastro luminoso no céu. Como estes meteoros têm origem na constelação do Leão, eles são denominados de Leonídeos. Quando a Terra cruza anualmente a órbita do cometa, em geral, entre 14 e 21 de novembro, ocorre esta chuva de meteoros. 

O cometa periódico Tempel-Tuttle passa de 33 em 33 anos pelo periélio (menor distância do cometa ao Sol). Logo após este fenômeno, ocorre uma chuva mais intensa de meteoros, uma verdadeira tempestade de estrelas cadentes. Em 1966, a taxa horária foi de 504 mil meteoros por hora. Nos outros anos, o número é da ordem de 100 meteoros por hora. 

O cometa atingiu o seu periélio em fevereiro de 1998. No ano seguinte, em novembro, ocorreu uma tempestade de estrelas cadentes, quando cerca de 3.700 meteoros por hora foram observados. O pico máximo de Leonídeos está associado à passagem da Terra pelo centro do rastro das partículas deixadas pelo cometa em sua órbita. Previsões baseadas nas passagens anteriores sugerem a ocorrência de um máximo em 18 de novembro. Para os observadores situados no Brasil, a melhor hora para observar será logo após o aparecimento da constelação do Leão, no lado leste, às 3 horas da madrugada do dia 18. Como as previsões relativas às chuvas de meteoros não são muito precisas, é aconselhável tentar observar a partir do dia 15 até o dia 20 de novembro. 

O melhor conselho pode ser resumido no seguinte: se as condições de visibilidade forem boas, convém tentar observar o céu durante várias noites antes e depois do máximo teórico previsto, que se situa entre as noites de 17 a 19 de novembro. Esse período vai ocorrer logo após a Lua Nova (13/11/2012). Como a Lua estará na fase crescente (20/11/2012), poderá melhor visualizar as trajetórias dos meteoros assim como os seus rastros. 

Como a chuva de meteoros tem o seu radiante na constelação do Leão, para encontrá-lo será suficiente identificar essa constelação no céu com auxílio de uma Carta celeste ou Atlas celeste. O local ideal para observá-los é uma região afastada da iluminação urbana. Os lugares altos, com pouca iluminação e boa visão do horizonte serão os melhores para observar os Leonídeos. 

A observação a olho nu é a mais conveniente para se contemplar uma chuva de meteoros. Binóculos ou luneta são desnecessários. Dependendo da transparência da atmosfera, será possível observar os meteoros de diferentes colorações. As cores dos meteoros como o verde, vermelho e branco vão depender do tipo de átomos com os quais os fragmentos do cometa reagem ao atrito com a atmosfera. Não existe nenhuma garantia de que vai ocorrer uma tempestade com cerca de até 6 mil meteoros por hora como foi previsto. Todavia, a própria observação de uma ausência da atividade fora do normal dos Leonídeos seria um dado importante, mesmo que não seja um espetáculo muito pouco atraente para os astrônomos. No entanto, se uma média um pouco superior à normal – cerca de 100 meteoros por hora – vier a ocorrer, para o leigo pouco habituado ao fenômeno será algo indescritível. 

* Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, astrônomo, é autor de mais de 95 livros, entre eles 'O livro de ouro do Universo'.-- www.ronaldomourao.com