Qual será a cela?

Sinal dos tempos! Há pouco mais de sete anos houve a denúncia de Roberto Jefferson sobre a existência de um mensalão no governo petista. Ninguém em sã consciência acreditava que seria possível levar às barras do STF um todo-poderoso José Dirceu, que na história horrorosa deste crime contra o erário está mais para capanga das ordens do ex-presidente Lula. Este mesmo ex-presidente que durante o seu mandato e fora dele desde janeiro de 2011, no afã de defender não as nossas instituições mais seus camaradas do PT, afirmava que a existência do mensalão era uma farsa das elites, da oposição e da imprensa! Lula nem se ruborizava com esta sua defesa, talvez porque jamais e em tempo algum teve noção do alto e nobre cargo que ocupou por longos oito anos. Mas esta história felizmente já é um passado. E o Supremo Tribunal Federal, com as provas juntadas pelo MPF, vai mostrando à sociedade a monstruosidade do fato.

Para tal foram 38 os denunciados pelo MPF, incluindo o José Genoino e o Delúbio Soares. Ainda assim, a incredulidade era grande sobre a possibilidade de a Justiça brasileira dar uma resposta adequada àqueles que emporcalham as nossas instituições. E, para nossa satisfação, esta hora tão esperada teve inicio no mês de agosto deste ano, com os mensaleiros sendo julgados sob a batuta do relator Joaquim Barbosa e a presidência do também poeta e ministro Ayres Britto.

Mesmo assim, a pulga atrás da orelha incomodava porque sabíamos que oito dos 11 magistrados foram indicados por Lula e Dilma. Ainda mais, porque nesta terra tupiniquim uma ilha grande da impunidade prosperava, formada por políticos, banqueiros e outros abonados, e que jamais em tempo algum foram condenados.  Passados 90 dias do início do julgamento, e apesar dos ministros ligados ao PT, como o Dias Tóffoli e o Ricardo Lewandowski, 25 dos 38 réus já estão condenados, faltando somente a conclusão da dosimetria para alguns.

Só nos resta parabenizar a maioria dos ministros do Supremo, que nos limites da Constituição estão concluindo o julgamento do mensalão.  E devolvem aos 200 milhões de brasileiros a esperança de que neste país o crime praticado contra as nossas instituições não será mais resolvido à luz do corporativismo dos porões do Congresso, do Palácio do Planalto etc. E muito menos no Judiciário.

E o mais incrível hoje é que, passados esses sete anos de angústia em que clamávamos por justiça, após a aplicação da pena principalmente contra Dirceu, Delúbio e Genoino, a discussão que ocupa a atenção da nossa sociedade se limita apenas a saber em que tipo de cela estes criminosos serão alojados. Na individual, especial, coletiva, ou, até em presídio de segurança máxima?!...  Não importa.  O que importa e conforta é que os tempos são outros.  À imprensa, a nossa reverência pelo trabalho sério e incansável durante o curso desse processo do mensalão, sem o qual a população brasileira não teria a exata dimensão do crime que houve contra as nossas instituições.  

* Paulo Panossian é jornalista. - [email protected]