A guerra cibernética 

Os ataques virtuais, ou guerra cibernética, estão mudando a percepção que temos sobre o conceito de guerra, o tipo tradicional onde os conflitos são desenvolvidos em uma zona de operações bélicas com ataques bilaterais. Nesta nova modalidade de guerra invisível o componente  mortal são os vírus informáticos, cada vez mais poderosos, que atacam não apenas governos mas, inclusive, nosso ambiente de trabalho e lazer, e sobre os quais não temos defesa imediata, pois, quando descobertos, já causaram perdas e danos, muitos destes, irreparáveis. 

O conflito Irã x EUA-Israel tem se caracterizado pelo uso destas entidades modulares, iniciado com os ciberataques em 2009 com o  vírus Stuxnet ou Flame, criado pelos EUA para sabotar e retardar o programa nuclear iraniano pela suspeita do desenvolvimento de armas nucleares. Recentemente, o Laboratório Kaspersky, considerado a maior empresa de antivírus  do mundo, afirmou ter descoberto um novo tipo de vírus, chamado Madi, semelhante ao Flame, provavelmente de origem iraniana, que tem afetado tanto Israel como o próprio Irã, fato que a  contrainteligência atribui a uma tática de desinformação para dificultar a origem. O Madi foi desenvolvido com o objetivo de espionagem e, segundo especialistas, os alvos são seletivos e direcionados a organizações financeiras, de infraestrutura e autoridades governamentais que detenham algum conhecimento estratégico. A diferença entre estes é que, enquanto o primeiro captura dados  e tem a capacidade de destruir sistemas, o segundo apenas copia as informações transferindo-as para uma plataforma central. 

Estes ataques virtuais inauguram  outra fase desta nova modalidade de guerra invisível, iniciada na Estônia em 2007, tão letal como as travadas com bombas e canhões, porém mais econômica, sem margem para erros e de difícil neutralização, podendo ser desencadeada a milhares de quilômetros  de distância e em países que nada têm a ver com o conflito. E o mais assombroso neste cenário é o fato de que quando nos referimos à guerra cibernética provavelmente estamos nos referindo ao passado, pois diariamente surgem milhares de novos componentes capazes de desestabilizar ambos os lados e antecipar decisões.

*André Luís Woloszyn é analista de assuntos estratégicos.