Aeroportos: continuam o desrespeito e a desinformação com os passageiros

Não obstante as seguidas promessas dos ministérios, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero, continuam o desrespeito e a falta de informação ao usuário do transporte aéreo, além, é claro, do desconforto dos “puxadinhos”, que a estatal aeroportuária insiste em chamar suntuosamente de Módulos Operacionais Provisórios (sic!).

Relato os fatos. No dia 11 de agosto do ano em curso, saí de Salvador pelo voo TAM JJ-3517 (6:44 AM) com escala em Brasília, de onde, pela mesma empresa, através do voo JJ-3182 iria para São Luís (MA), sendo o horário de partida marcado para 10h19. Para que não fique nenhuma dúvida e venham dar desculpas esfarrapadas tenho todos os originais dos boarding pass.

O voo entre Salvador e Brasília saiu no horário previsto, e já na saída da aeronave para o destino havia um funcionário da TAM indicando o local de espera da conexão. Não é preciso dizer que o terminal indicado nada é mais do que um dos tantos “puxadinhos”, diga-se de passagem, em péssimo estado de conservação, com o piso soltando em vários lugares, e observei que em um determinado ponto, devido à infiltração na cobertura, uma placa do forro já estava soltando. Pelo visto, o presidente da Infraero não utiliza este local de embarque.

De imediato, como sempre faço, conferi se o portão indicado no meu boarding pass pela TAM era o mesmo constante do painel com a relação dos voos, de responsabilidade da Infraero. Tal procedimento, atualmente, é necessário, pois já virou rotina as constantes mudanças de portões e, consequentemente, o passageiro desavisado perder o voo, mesmo estando no aeroporto. Alguma dúvida: pergunte aos passageiros frequentes, e todos terão uma história para contar.

Após conferir o meu portão de embarque, observei no painel que o voo para São Luís estava confirmado para o horário previsto. No entanto, o tempo foi passando, e nada de o pessoal da TAM chamar para o embarque. Felizmente, era um sábado e tempo de baixa estação, senão o “puxadinho” teria ficado lotado com passageiros sentados no chão. Como já estou “calejado” com o desrespeito aos passageiros nos aeroportos do Brasil, aos 62 anos já não mais me estresso com esses detalhes.

Uma hora após o previsto e sem nenhum tipo de informação de quem quer que fosse, de repente achei um funcionário da TAM e, de forma reservada e educada, perguntei ao mesmo por que o voo estava atrasado. Ele não se fez de rogado e, de forma gentil, explicou que durante a aterrisagem do avião – que faria o voo entre Brasília e São Luís – uma ave havia se chocado com uma das turbinas da aeronave (nada surpreendente neste país, onde os lixões se espalham aos montões).

Em seguida, perguntei-lhe se havia previsão de tempo para a revisão, e ele informou que não tinha aquela informação. Ato continuo, perguntei-lhe se a TAM não dispunha de outra aeronave que pudesse fazer o citado voo, e fui informado de que a empresa aérea não tinha nenhum avião de reserva em Brasília, ou seja, o negócio era ter paciência e esperar. Agradeci pela informação, e ele seguiu o seu caminho para fora do “puxadinho”. Importante ressaltar que durante o período de espera nem a Infraero nem a TAM deram qualquer tipo de informação.

Meia hora após a minha conversa com o funcionário da TAM, para minha surpresa foi feita a chamada para o embarque imediato. Já dentro do avião, sentado na poltrona 11 C, pela qual paguei R$ 30,00 para ter mais espaço para as pernas – o tal “assento conforto” –, perguntei a um comissário se a manutenção da TAM tinha conseguido retirar a ave que havia se chocado com a turbina da aeronave, conforme me havia sido relatado.

O comissário me informou que não havia ocorrido nenhum choque de ave com a turbina do avião e, sim, um choque de caminhão com a fuselagem da aeronave — popularmente falando, um despreparado motorista de caminhão do aeroporto teria dado uma trombada no avião! Como não sou de deixar a conversa pela metade, perguntei ao mesmo comissário se a manutenção havia consertado a fuselagem do avião, no que ele informou que havia sido feita uma troca de aeronave.

Iniciado o procedimento para decolagem, como é de praxe, o comandante deveria ter dado alguma explicação sobre a razão do atraso do voo. No entanto, o mesmo, talvez por empáfia, medo de perder o emprego ou simplesmente desrespeito ao passageiro, não disse uma só palavra de alento durante o voo. Por fim, chegamos à bela São Luís.

Até agora, não sei quem disse a verdade nessa história quixotesca!

Esse relato é a mostra clara e irrefutável de como o passageiro brasileiro continua sendo desrespeitado neste país, que se jacta de ser a sétima maior economia do mundo e vai sediar nos próximos anos os dois maiores eventos esportivos do mundo.

 

*Humberto Viana Guimarães, engenheiro civil e consultor, é formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, com especialização em estruturas de concreto, geração de energia, saneamento e materiais explosivos.