Acorde, burguesia! 

O mundo vive um momento que exige, dos maiores de 50 anos principalmente, um mínimo de meditação, de realismo, de bom-senso.  Não podemos ser dirigidos por uma geração que foi  manipulada e formada com  valores extralar. Ou seja, pela mídia em geral, pelos instrumentos sociais, longe dos valores da família, da ética, da moral e até da religião. 

Claro que os mais velhos não defendem nem querem manter regimes injustos. Mas é preciso saber diferenciar o possível do desejável e do real. Fica cada vez mais complicado alguém, com boa formação, achar que países como Argentina, Venezuela e Equador estão bem entregues. Só por ideologia. Um mínimo de convívio com nossos diplomatas pode supor que estejam revoltados com esse alinhamento automático com o presidente Chávez, da Venezuela. Até o chanceler do Uruguai, país presidido por um ex-terrorista tupamaro, efetivamente convertido à democracia, denuncia a posição brasileira a reboque de Caracas. 

Como é que podemos estar no patamar das relações comerciais igualitárias com as nações mais desenvolvidas e mais cultas, compactuando com  mentalidade e práticas que, ao longo da história, fizeram da América Latina um tema do anedotário mundial?. O Brasil, mal ou bem, sempre escapou disso. Mas agora estamos até divulgando atos que marcam fantasia e revanchismo. Com quais objetivos? 

Vamos ler, e reler, Gilberto Freyre, lembrar da nossa vocação para a cordialidade e a fraternidade. E que, aqui, nunca houve racismo, que as relações sempre foram cordiais de raças e credos. 

A essa altura, para os que têm mais de 50 anos, não faz sentido cobrança de dívidas, ainda mais sendo a maioria ntestada pelos fatos históricos. José Gustavo de Carvalho, em sua obra monumental, com a autoridade e a respeitabilidade de membro da Academia Brasileira de Letras, informa que muitos dos comerciantes de escravos, em Minas, eram alforriados ou mulatos. Logo, para que realçar essa realidade e culpar quem traficou irmãos? Queremos a união, a integração, a fraternidade, pois, hoje, somos a nação multirracial do mundo. 

A burguesia, segmento mais culto da população, não pode entrar nessa de abrir feridas, de contestar um gesto magnânimo como a anistia de 79, do presidente Figueiredo. Ele mesmo, um brasileiro de classe média, com as qualidades e defeitos do homem comum e correto. 

Junte-se tudo isso. E acrescente a política externa, a economia frágil, a crise mundial, e vamos ver que não vale a pena, que é perda de tempo discutir temas menores. Nossa batalha agora é no front da economia, do emprego e do investimento. E com boas bases, pois o jogo é de profissionais. Ninguém engana ninguém. Até o final do ano vamos ver o tamanho das dificuldades da Venezuela e da Argentina. Não pode ser esse o nosso caminho! 

* Aristóteles Drummond é jornlista. - [email protected]