Rio: uma cidade partida ou má distribuída? 

Desculpem, mas não considero o Rio uma cidade partida. Trata-se de uma cidade mal distribuída.  Dados da Prefeitura dão conta de que mais de um milhão de cidadãos cariocas se movem todos os dias da zona oeste para as zonas norte, centro e sul, regiões onde está a maioria dos empregos. Podemos imaginar o equivalente a quase toda uma cidade como Recife se deslocando de manhã para um lado, e no sentido inverso à noite. Resultado, engarrafamentos monstruosos, tormento, sofrimento, doenças e má qualidade de vida, graças a  um péssimo sistema de transporte e uma concentração exacerbada do desenvolvimento em menos de 20% do território.

Infelizmente, com o incentivo a do transporte rodoviário promovido pela Prefeitura,  o Rio está mergulhado no mais completo caos urbano. E as perspectivas não são boas. A Prefeitura vem plantando mais tormento com os tais BRT’s (transolímpica, transoeste e transcarioca), ou seja, mais linhas de ônibus, ao invés de metrô de superfície e trens, mais velozes, e com maior capacidade e conforto. 

Mas, como sempre, um grande problema, requer uma grande decisão. E para dar conta dessa última, muita coragem política. E como começar? Por exemplo, pensar em projetos que distribua melhor a população pelos 1.140 quilômetros quadrados da cidade. Hoje, a densidade demográfica na zona sul é cinco vezes superior a da zona oeste. Outra, tentar inverter o fluxo de deslocamento humano. Da zona oeste para as zonas norte, centro e sul, onde ficam quase 50% dos empregos do setor de serviços. 

Por que não começar  pela própria Prefeitura? Por que não deslocá-la da zona sul, região de maior densidade demográfica, para a zona oeste onde seria instalado seu Centro Administrativo? Além de inverter boa parte do fluxo humano diário, reduzindo congestionamento, seria um claro sinal politico a todos do desejo de desenvolver aquela região tão preterida. 

Como consequência, os investimentos públicos e privados locais seriam melhor acompanhados. Com incentivos fiscais empresas poderiam se fixar na zona oeste, hoje a de menor renda per capita. Os serviços públicos de saneamento, saúde e educação, e infraestrutura urbana,  teriam atenção direta do poder politico pela proximidade desse último. Novos empreendimentos empresariais, como os ligados ao turismo, com a aproveitamento de ecossistemas exuberantes como  o Parque Nacional Maciço da Pedra Branca e o Parque do Medanha, dois dos mais importantes acidentes geográficos da Cidade. 

Como investimento gera emprego, suas taxas refletiriam a nova distribuição. A construção de moradias floresceria para os atuais e novos empregados que surgiriam da nova distribuição espacial dos investimentos econômicos e da população. Fica a proposta de deslocar o Centro Administrativo da Prefeitura do  Centro para a Zona Oeste. Todas as demais regiões agradeceriam. 

Poderia  ser uma pauta da oposição a ser aproveitada no curso das eleições que se avizinham.  

Fernando Peregrino é Secretário Geral do PR e doutorando em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ