Último suspiro grego 

A moratória da Grécia já foi assumida, apesar de os países da zona do euro continuarem tentando resgatar o país através do acordo firmado em Bruxelas, que aprovou, a toque de caixa, um empréstimo de 130 bilhões de euros até 2014 para rolagem de suas dívidas. É fato que somente este tipo de ajuda não acarretará uma melhoria do PIB do país nem um fortalecimento das finanças para, assim, gerar sustentabilidade econômica.

Os bancos privados foram, de certa forma, forçados a rever a dívida dos títulos gregos, o que gerou uma redução de 53,5% do valor nominal e perdas reais de 74%. Com todas essas ajudas, espera-se que a participação das dívidas no PIB caia de 160% para 120,5 % até 2020.

Para que fosse aceito o segundo empréstimo, exigiu-se de Atenas que cedesse parte de sua soberania, por conta da supervisão permanente chamada "troica" (trio formado por Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu). Mesmo diante dessa situação, a agência de risco Fitch cortou os ratings de longo prazo, reconhecendo que a possibilidade de um calote é grande.

Os países que formam a zona do euro, principalmente em virtude da manutenção do euro como moeda forte e de um bloco fortalecido, pagam muito caro e, com isso, sacrificam vários países da região, colaborando com um endividamento que não foi causado pelo seu país. Assim, passam a sacrificar todos os membros por conta de sucessivos erros que aconteceram e que envolvem países que não deveriam participar do grupo e que poderão levar ao fracasso todo o sistema, como a própria Grécia, Portugal, Espanha e Itália.

Não adianta fomentar empréstimo para países que estão altamente endividados e que ainda acreditam que podem ter os mesmos privilégios. A Grécia vive hoje como um hospedeiro, tirando sangue de outros que não têm nada a ver com a falta de controle econômico, gestão política complexa, descontrole dos gastos públicos e falta de uma política de estímulo à empregabilidade.

Talvez a melhor alternativa fosse a não aprovação do empréstimo e a retirada da Grécia da zona do euro, o que permitiria, embora em situação de moratória, uma maturidade maior com a população colaborando com os programas de recuperação politica e econômica. A luz no fim do túnel somente existirá se houver uma mudança cultural.

Continuar com a ajuda eterna à Grécia prejudicará a democracia na região e levará a uma crise sem precedentes. Às vezes, somente medidas radicais criam o ambiente propício para que governo e população se unam e lutem para gerir melhor a crise.

* Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (SP).