Rude ou real? 

Sei que o termo é rude, mas peço desculpas pelo uso. Sei que muitos dirão que cabe à classe política a solução do problema. Concordo e sei que, como deputado e como cidadão, posso até ter uma parcela de culpa, também. Tenho consciência disso, e sempre procurei agir — tanto no trabalho social que mantenho, como no Parlamento — consciente de que não devemos deixar para o poder público a solução de boa parte dos nossos problemas. Isso nos dá a certeza de que, se todos fizerem a sua parte, por menor que ela seja, estaremos dando um grande passo para isso.

E, assim, feito o nosso mea-culpa, vamos ao tema: HORDA. Não vou citar o mestre Aurélio, tampouco definir

a palavra. Eis o fato: de início, um pequeno grupo que se formava ali, nas proximidades da Estação da Luz. As primeiras denúncias causaram impacto, embora o problema fosse ainda incipiente. O tempo foi passando, o crime foi ganhando conotações de organização forte e, mais do que isso, foi aprimorando a sua técnica maléfica, e adotando princípios administrativos típicos de grandes empresas.

O tráfico conseguiu, numa rápida comparação, fazer o que todas as empresas sonham: popularizar o preço do seu produto, e aumentar o consumo, em larga escala. E esta pode ser a justificativa para o termo, horda.

O que era um pequeno grupo virou um aglomerado, reunindo centenas. Isso, centenas de pessoas de todas as idades, espalhadas pelas ruas de todas as cidades brasileiras, consumindo drogas, principalmente o crack. E o poder público, mesmo entendendo a condição de enfermos, dependentes, fica sem meios legais para tirá-las das ruas, e levá-las a uma instituição, para tratamento. Mesmo nas pequenas cidades do interior, antigamente consideradas refúgios de tranquilidade, o problema se faz presente, e a cada dia se manifesta com intensidade maior.

Sem um controle efetivo nas fronteiras, de modo a impedir a entrada de drogas e de armas; sem uma lei que nos permita retirar das ruas as pessoas dependentes, e enviá-las para tratamento em locais adequados; sem um programa de tratamento e recuperação dessas pessoas; sem uma lei que puna com muito rigor o tráfico, vamos ver crescer a horda que nos envergonha, mas também nos faz pensar. Ou tomamos a iniciativa agora, mudando as nossas leis, ou seremos, muito em breve, reféns de um exército de infelizes, oriundos de todos os segmentos da sociedade, de todas as classes sociais. É esperar e conferir. Com a palavra, o Congresso Nacional.

* Vitor Sapienza, deputado estadual (PPS), é presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação, ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, economista e agente fiscal de rendas aposentado. - www.vitorsapienza.com.br