Dificuldades reais 

Ano complicado este, em que as eleições municipais perdem o significado em função de as principais capitais não refletirem vitória ou derrota para o governo federal. Exceto São Paulo, onde o PT, se eleger um poste, pode reafirmar a liderança popular do ex-presidente Lula. No entanto, o mais provável é que as forças ligadas ao Palácio Bandeirantes e à ala complicada do PSDB não briguem com a realidade e o candidato seja o imbatível Guilherme Afif Domingos, que uniria PSDB, PSD, PP, DEM E PTB. No segundo turno, se for com o PT, o PMDB. O Rio reelege Eduardo Paes e Belo Horizonte, Márcio Lacerda. O PT teria chance com Fernando Pimentel, que eleitoralmente está liquidado; e politicamente, desgastado, inclusive pelo comportamento diante da imprensa. Não quer dar explicações e fica por isso mesmo. Mas fica também registrado.

O difícil será mesmo controlar a inflação, as reivindicações sindicais, conter os absurdos que tornam as obras de infraestrutura cada vez mais distantes, gerir a reforma agrária, que custa cada vez mais e faz cada vez menos. No quadro político, o ano é curto com as campanhas municipais, e as atenções se voltam para as tensões provocadas por radicais, fanáticos, que pregam a divisão dos brasileiros.

Em Porto Alegre, vereador de um dos partidos da esquerda mais radical apresentou projeto substituindo o nome do Marechal Castelo Branco de importante logradouro, substituindo por Avenida da Legalidade, sob o pretexto de que o militar foi um ditador. Ora, Castelo foi eleito pelo Congresso – com o voto de JK, inclusive. E, se valesse a tese, os gaúchos teriam de substituir os milhares de homenagens a seu grande filho e estadista brasileiro Getulio Vargas, que chegou ao poder com uma Revolução, foi eleito pelo Congresso em 34 e governou em regime fechado por oito anos, de 37 a 45 . E há outros exemplos, como Borges de Medeiros e Julio de Castilhos, nem sempre cumpridores dos trâmites democráticos. E ainda o marechal Floriano Peixoto. Enfim, uma proposta infeliz, marcada pelo revanchismo e o desejo de afrontar nossas Forças Armadas, impecáveis na sua postura ética, moral e política.

A crise lá de fora se fará sentir com mais força do que no ano passado. E nossa produção não cresce na medida em que não temos como escoar por estradas e portos inadequados, pelo atraso no projeto ferroviário.

A complicar o quadro, a situação no continente ficará tensa, em especial na Argentina, nossa parceira comercial, que tem imensas dificuldades de conter protestos, inclusive internacionais. E ainda há a triste determinação do governo de continuar mascarando dados econômicos e criando o “factoide” de jogar a culpa na imprensa. O Mercosul corre riscos por eventuais dificuldades no Prata.

E, por fim, a Copa de 14 será assunto polêmico. Onde tudo poderá ocorrer.

* Aristóteles Drummond é jornalista. - [email protected]