São Sebastião, o discipulado e a juventude 

Neste sábado, dia 7 de janeiro, toda a nossa querida Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro se irmana para celebrar a trezena de seu padroeiro, que, neste ano de 2012, terá como tema: São Sebastião, jovem discípulo de Jesus Cristo.

Houvemos por bem escolher esta temática para que toda a nossa cidade, vicariatos, foranias, paróquias, capelas, redes de comunidade e os fiéis em geral se conscientizem acerca da importância da mobilização da nossa juventude em torno da JMJ Rio 2013, que será realizada em nossa cidade e arquidiocese entre os dias 23 e 28 de julho de 2013, com a presença do nosso amado papa Bento XVI. É também o Ano do Discipulado, de acordo com as conclusões do Plano de Pastoral. Todos somos chamados ao seguimento de Jesus Cristo, que deve ser o fim e a fonte de nossa vida, recomeçando sempre por ele.

Por si só, São Sebastião, jovem soldado do Império Romano, usou de toda a sua energia para confessar a sua fé. Foi por causa da sua convicção em Jesus Cristo que ele foi martirizado, recebendo flechadas, que não fizeram com que ele abdicasse da fé, ao contrário, que ele retornasse diante do seu primeiro algoz e reafirmasse que ele, de maneira solene e pública, reafirmava que acreditava e seguia Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que está presente no meio de nós!

Quando no ciclo anual a Igreja faz memória dos mártires e dos outros santos, "proclama o mistério pascal" naqueles e naquelas "que sofreram com Cristo e estão glorificados com ele, e propõe seu exemplo aos fiéis para que atraia todos ao Pai, por Cristo e, por seus méritos, impetra os benefícios de Deus".

São Sebastião foi um mártir que morreu por ódio à fé católica. O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Enfrenta a morte num ato de fortaleza. Assim, em honra do mártir São Sebastião, participaremos da trezena em preparação à festa que iremos, solenemente, celebrar no próximo dia 20. Trezena significa treze dias seguidos de intensa oração, de participação do trezenário com as orações, os pedidos, as súplicas, a ladainha em honra de São Sebastião, pedindo ao santo mártir que ele nos proteja contra a peste, a fome e a guerra, e pedindo, acima de tudo, proteção e paz para a cidade do Rio de Janeiro, que nasceu sob o signo da fé católica, protegida por São Sebastião.

A nossa cidade do Rio de Janeiro necessita, também, muito voltar os seus olhares para o Cristo Redentor! Contemplamos nos últimos doze meses muitos avanços na área da segurança pública, no controle da criminalidade, na busca de soluções para os problemas que afligem as pessoas mais carentes dos bairros mais distantes. Mas devemos caminhar muito ainda na melhoria da condição de emprego e renda, de saneamento básico, de água encanada e de luz elétrica, que, por motivos alheios à vontade de muitos moradores, ainda não existem em muitos bairros de nossa cidade.

Nós queremos, com o trezenário de São Sebastião, levar a mensagem central da vida e do testemunho de “nosso” santo aos moradores e fiéis de todos os recantos da cidade, particularmente aos jovens. A exemplo de São Sebastião, queremos anunciar que é possível não ter medo e não ter vergonha de viver a fé católica. A Igreja Católica tem uma presença fundamental, desde o início, na constituição e na formação da cidade do Rio de Janeiro e de todas as suas regiões. São obras sociais, como creches, asilos, escolas, orfanatos, escolas profissionalizantes, além da formação social, política, ética e moral em que os valores do Evangelho e o exemplo de São Sebastião nos irmanam na luta por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Assim, eu quero convidar todos os fiéis de nossa arquidiocese, de todos os lugares e estabelecimentos, eclesiais, públicos e particulares, em que a imagem peregrina de São Sebastião irá passar para se prepararem condignamente, acorrendo às carreatas, procissões pelas ruas, bairros e vielas de nossa metrópole, a fim de reafirmamos a nossa fé em Cristo e a nossa profunda admiração e confiança por São Sebastião, padroeiro desta cidade maravilhosa.

Seria oportuno que os fiéis, antes da peregrinação da imagem do padroeiro, se preparassem com uma completa confissão auricular. A festa de São Sebastião, precedida de seu trezenário, é tempo de graça e de bênçãos para a nossa arquidiocese. Muitos frutos, pessoais e coletivos, brotarão deste tempo propício de oração e de seguimento de Jesus Cristo.

Se todos os fiéis acorrerem a São Sebastião pedindo a sua proteção, nós sentiremos mais de perto o amor de Deus, a proteção de São Sebastião, e as bênçãos divinas caindo abundantemente sobre nós. Convido, por fim, com filial carinho, a juventude do Rio de Janeiro a conhecer e seguir mais de perto São Sebastião que, por sua morte, tornou-se confessor do seguimento de Jesus Cristo. Jovens, ouçam o apelo da Igreja pela voz do papa Bento XVI, que nos convoca a reanimar a fé: “que a Jornada favorece um novo modo de ser homem, de ser cristão, através do voluntariado. Milhares de jovens fizeram o bem simplesmente porque é bom fazer o bem, é bom servir os outros. “É preciso apenas ousar o salto”, afirmou o papa. “Outra característica das Jornadas é a alegria, que brota da certeza de ser amado por Deus. Só a fé me dá esta certeza: é bom que eu exista; é bom existir como ser humano, mesmo em tempos difíceis”. A fé nos faz felizes a partir de dentro. “Esta é uma das maravilhosas experiências das Jornadas Mundiais da Juventude”.

Jovens, eu vos convido: abri o vosso coração para Cristo! É justamente a alegria de São Sebastião que, não tendo medo de confessar a sua fé em Cristo Ressuscitado, anima a nossa juventude do Rio de Janeiro a viver, com empenho, a trezena e a festa de São Sebastião para que, imitando o seu exemplo, confessemos e testemunhemos a fé católica na nossa cidade, que nasceu, cresceu e hoje vive sob a constante proteção de São Sebastião, que sempre nos aponta para o Cristo Redentor, caminho, verdade e vida!

* Dom Orani João Tempesta, cisterciense, é arcebispo do Rio de Janeiro.