O Sol nasce para todos. E a energia solar, também

         O Sol – fonte de vida e origem das outras formas de energia que o homem vem utilizando desde o início do processo civilizatório – poderá satisfazer quase todas as nossas necessidades energéticas, no dia em que dominarmos todos os conhecimentos relativos ao aproveitamento de modo racional da luz solar que incide continuamente sobre o nosso planeta.

         A energia solar é superior a qualquer outra forma de captação de energia convencional por tratar-se de uma fonte totalmente natural, limpa, gratuita que, além de não agredir ao meio ambiente, é praticamente inesgotável, pelo menos durante os próximos 6 bilhões de anos.

         Durante um ano, o Sol despeja sobre a Terra 4 mil vezes mais energia do que consumimos. O Brasil, em virtude de sua situação climática, é particularmente privilegiado em relação aos outros países. Assim, cada metro quadrado do nosso solo recebe por ano cerca de 1.500 quilowatts/hora de energia. Esta energia pode ser aproveitada diretamente ou convertida em outras formas, como por exemplo, em calor ou em eletricidade.

         Seria totalmente irracional que não se procurasse aproveitá-la por intermédio de processos tecnicamente viáveis, principalmente tendo em vista que esta fonte energética, além de gratuita, limpa e inesgotável, poderá nos liberar da dependência de outras formas pouco seguras e poluentes, como por exemplo, o petróleo, a energia nuclear etc.

         Na realidade, convém assinalar que existem alguns problemas que devemos procurar superar. Dentre eles, devemos considerar a sua ausência de noite e as variações ao longo do dia e do ano como, por exemplo, o fato de a radiação solar ser menor no inverno, justamente quando mais precisamos dela.

         No início, as principais dificuldades estavam relacionadas às tecnologias capazes de captar, acumular e distribuir a energia solar, que as tornassem definitivamente factíveis. As exigências de energia elétrica nas sondas espaciais fizeram com que as células fotovoltaicas tivessem um notável desenvolvimento tecnológico assim como uma queda sensível em seu custo, nos últimos cinco anos, tornando-as competitivas, em particular depois que a demanda de energia elétrica vem aumentado no mundo. Se, por um lado, esta incessante necessidade de energia de eletricidade tem incentivado o uso da energia solar, por outro lado, à medida que o número dos seus usuários aumenta, maior é a procura, o que deverá provocar uma redução no custo atual de células fotovoltaicas, tornando o seu uso cada vez maior.

         A partir da radiação solar podemos, basicamente, obter calor e eletricidade. O calor pode ser conseguido por intermédio dos coletores térmicos e a eletricidade, através dos painéis de células fotovoltaicas. Os dois processos não têm nada em comum, quanto à tecnologia ou à sua aplicação.

         No aproveitamento térmico, o calor recolhido pelos coletores pode ser destinado a diferentes necessidades. Um dos mais frequentes usos está relacionado à obtenção de água quente para consumo doméstico ou industrial, ou até mesmo para o aquecimento em hotéis, colégios, fábricas etc.

         Apesar de parecer muito estranho, uma das mais promissoras aplicações do calor solar poderá ser a refrigeração durante o verão, justamente quando a incidência de energia solar é maior. Com efeito, para obter o frio é necessário dispormos de um sistema de aquecimento, que pode ter sua origem em coletores solares instalados nos telhados. Nos países árabes, os condicionadores de ar funcionam com eficiência utilizando energia solar.

         As aplicações agrícolas são muito mais frequentes. Com as estufas solares obtêm-se colheitas em qualquer época do ano. Nos secadores agrícolas é possível consumir muito menos energia quando a energia convencional trabalha associada à energia solar.

         A eletricidade pode ser obtida com as “células solares”, dispostas em painéis ou módulos, como se procedeu na produção de eletricidade para os primeiros satélites e sondas espaciais. Atualmente, constitui uma das melhores soluções definitivas do problema da eletrificação das regiões rurais, com notáveis vantagens em relação às energias alternativas, pois além de não possuírem pás ou partes móveis, como na captação da energia eólica, os painéis permanecem totalmente inalterados ao longo do tempo, não contaminam nem produzem nenhum ruído, não consomem combustíveis e não necessitam de manutenção. Aliás, convém lembrar que as células fotovoltaicas funcionam também nos dias nublados, com menor rendimento, tendo em vista que captam a luz que atravessa as nuvens.

Ronaldo Rogério de Freitas MourãoRonaldo Rogério de Freitas Mourão, astrônomo, é autor do livro 'Sol – A energia do Terceiro Milênio' (Scipione)