Amor incompreensível

         Cristo deixou claro que estava com os perdidos, declarando seu perdão, buscando a companhia deles e, acima de tudo, partilhando as refeições com eles. Hoje, confrontados com os poderosos mecanismos que controlam a sociedade, a tentação é nos entregarmos à impotência. Uma das experiências mais difíceis ocorre quando as próprias pessoas que tínhamos a esperança de alcançar rejeitam a oferta que fazemos.

         Quando olhamos para Cristo, para o modo como viveu e agiu, para a maneira como anunciou o perdão e a cura, e, acima de tudo, para as condições em que morreu, abandonado por todos, em uma cruz, vemos que o mistério recebeu uma forma concreta.

         Seja qual for a situação humana em que o mistério se manifesta, esse acontecimento se torna uma experiência de graça quando sabemos que estamos recebendo uma dádiva, que esse momento de vida não se explica pela ação ou esforço próprio. Enquanto pensamos sobre um ser humano em especial, a quem acolhemos, é possível examinar toda a amplitude da nossa existência, que escapa a limites. Assim podemos experimentar nossa dependência total do mistério que nos sustenta.

         O Evangelho proclama que a totalidade da vida é apoiada e cercada por um Deus que nos ama com paixão. Ele não nega a realidade e o horror da guerra, da fome, da opressão e da morte, não nega o mal que está nos corações de homens e mulheres. Põe diante de nós a cruz de Cristo em toda a sua desolação, mas faz a afirmação estarrecedora de que a morte não tem a última palavra. Proclama que o mistério de nossas vidas não é frio nem distante, mas caloroso e próximo, está no meio de nós.

* Engenheiro