...e o planeta Terra adoeceu!

Se observarmos a natureza, notaremos que existe uma relação imutável entre  hospedeiros e parasitas. O parasita progride, desenvolve-se cada vez mais, de forma descontrolada, enquanto o hospedeiro segue em sentido contrário: regride, se atrofia, decresce, até que seu organismo sucumba ou reaja extirpando ou expulsando o parasita. Constatamos três situações bem distintas: 1) uma convivência pacífica e equilibrada entre parasita e hospedeiro; 2) progresso e desenvolvimento descontrolado do parasita; 3) consequente morte do hospedeiro ou a reação orgânica do hospedeiro com a expulsão ou morte do parasita.

Somente a convivência harmoniosa entre parasita e hospedeiro permitirá a subsistência dos dois. Caso isso não aconteça, um ou outro, ou os dois deixarão de existir.  Se tomarmos um ano inteiro e transformarmos em segundos e tirarmos desse total os dois últimos segundos, teremos no primeiro, o minuendo, a idade do planeta Terra; e no segundo, o subtraendo, o tempo da existência do homem sobre a Terra.

O planeta se formou, amadureceu, criou as condições para desenvolvimento da vida vegetal, que teve seus tempos áureos de convivência com o planeta. Depois apareceu a vida animal e, finalmente, surgiu, nos últimos instantes, o homo sapiens, o predador, a doença do planeta, que, em analogia ao nosso corpo, iniciou suas atividades como uma leve gripe e se transformou a partir do início do século 20 numa fulminante tuberculose pondo em risco a subsistência do planeta, o hospedeiro do homem.

A sociedade moderna, embora composta por seres pensantes, no seu consumismo irracional e desbragado, está se comportando como parasitas, vivendo o hoje e esquecendo o amanhã de nossos filhos e netos.  O planeta está doente, mutilado, com suas reservas destruídas ou contaminadas. Fala-se em escassez de água, mas, muito pelo contrário, temos e teremos excesso de água, poluída e pessimamente distribuída pela própria natureza, febril, aquecida e enferma.

O ar que respiramos está comprometido por gases gerados pelo homem, gases esses que a natureza sabiamente guardou nas profundezas da terra e que o homem está devolvendo para a atmosfera sem o cuidado de reciclar o gás carbônico e demais gases poluentes. A reciclagem do gás carbônico e dos outros gases poluentes é perfeitamente viável, de forma indireta, com a captura e destinação desses gases via biomassa.

Toda empresa poluidora é obrigada, por lei, a reciclar seus efluentes. Só as indústrias petrolíferas não o fazem!   Estamos nos comportando como vírus, amebas e bactérias, embora nos consideremos seres pensantes e inteligentes. Não percebemos que somos exploradores, parasitas do planeta Terra, que estamos destruindo o nosso hospedeiro, nossa casa e, quando acordarmos, pode ser tarde demais.

A natureza está avisando, chamando a atenção do homem para as catástrofes, comodamente designada pela sociedade como naturais. Providências precisam ser tomadas com urgência, senão, três encruzilhadas se nos apresentarão:

1) Simples extermínio da espécie humana. Se isso acontecer, o meio ambiente e as outras espécies em geral agradecerão por se sentirem aliviadas, livres de uma presença incômoda;

2) Um acidente em grandes dimensões, provocado pelo homem na sua busca desenfreada do poder e do consumo. Por exemplo, uma guerra nuclear;

3) Ou a sociedade volta à razão e ao equilíbrio, ou que pelo menos tente, porque o tempo está passando, e a situação está se tornando praticamente irreversível.

* Antonio Germano Gomes Pinto é engenheiro químico, químico industrial, bacharel em química com atribuições tecnológicas, licenciado em química, especialista em recursos naturais com ênfase em geologia, geoquímico, especialista em gestão e tecnologia ambiental, perito ambiental, auditor ambiental e autor de duas patentes registradas no INPI, no Merco Sul, na UE, na World Intellectual Property Organization e em grande número de países.