Alerj: falcatruas intermináveis

É incrível o que se passa na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: um verdadeiro festival de falcatruas acontece quase que anualmente e, com os 70 deputados estaduais desta feita recebendo um cartão de crédito mensal de 1.150 litros de combustível, que lhes permite rodar, em média, 300 quilômetros por dia, o equivalente a uma viagem ao Noroeste do estado ou até o inicio de São Paulo.

Por ocasião da CPI da Rio-Previdência, a Alerj chegou a uma desmoralização total quando apurou que o deputado designado para presidi-la era o que mais besteira executava no exercício de seu cargo e, aí, seus colegas parlamentares colocaram seu nome em votação para a devida cassação, mas o presidente daquela CPI foi inocentado por seus pares, mesmo depois que tudo já havia sido provado sobre os absurdos cometidos.

Há pouco tempo, a imprensa noticiou sobre o escandaloso episódio do Bolsa Educação e dos 14 deputados que usufruíam daquele expediente sórdido. Somente as duas parlamentares do município de Magé foram cassadas. Pegaram as duas como autênticas patas tendo em vista que uma tinha a irmã desgastadíssima como prefeita daquele município e a outra por ser sobrinha de um ex-deputado que também era detentor de grandes críticas contra sua pessoa. Os demais ficaram quietinhos, e alguns até se reelegeram juntamente com o ex-presidente da CPI da Rio-Previdência.

A vergonha apresentada nesta última irregularidade é que, como o sistema para controlar combustível é acumulativo, os deputados podem guardar os créditos não utilizados para os meses seguintes. Com isso, ficam com uma poderosa fonte de recursos para serem utilizados quando bem entenderem, pois não há ninguém naquela casa controlando nada. Em 2010, quando a Assembleia ficou praticamente parada devido às eleições, as despesas com combustível foram maiores que as de 2009. Ou seja, as figuras estavam trabalhando para eles próprios, e os eleitores/contribuintes é que pagam suas despesas para que possam ganhar mais mandatos.

 A grande verdade nesse nível apresentado pelos 70 parlamentares que compõem o Legislativo fluminense, mais ou menos 50, são totalmente inúteis, com alguns aparecendo como autênticos líderes de bancada muda, pois não sabem e não querem fazer nada em benefício da população. Só dizem amém para o presidente de plantão da Casa, que teve oito anos com Jorge Picciani e, agora, começando a era Paulo Mello. É dose!

Lamentável mesmo é um trabalhador que mora na Região Sul Fluminense ou na Região dos Lagos e tem seu emprego no Rio de Janeiro. Ele enfrenta ônibus diariamente e volta para dormir em casa, ao passo que um deputado de carro com ar condicionado e motorista, pago pelo Legislativo, tem a regalia de dormir em hotel para a população pagar. Até deputado de Rio Bonito, a pouco mais de 40 km do Rio, tem esse privilégio. Essa gente pode levar os fluminenses a plagiar o que o povo egípcio fez  recentemente com o seu ditador. É preciso ter paciência de Jó para aguentar tanta vilania.

A culpa não é do urubu, é da carniça!

* Célio Junger Vidaurre é advogado e cronista político e-mail: [email protected] Acesse também o site www.celiojungereconvidados.com.br.