Prefeitar não custa muito

 


Há meses, visitando o prefeito Eduardo Paes, tive oportunidade de trocar ideias sobre o centro da cidade, que enfrenta problemas de fácil solução e quase nenhum gasto financeiro. Vontade política, bom senso e autoridade valem mais do que verbas no orçamento. E algumas medidas de  qualidade urbanística ainda possuem sentido ético e têm como estimular parcerias.

 

O ponto que tem fronteira com o ético e depende de um pequeno gesto do prefeito seria proibir o estacionamento nos dois lados da Avenida Beira-Mar, que provoca retenções na altura do quarteirão ocupado pelo IBMEC – antiga sede da Esso -- que concorre de  maneira desleal com duas garagens subterrâneas  que investiram no sistema de concessão. Logo melhora o fluxo de veículos na via e  tem o sentido de não lesar quem confiou em investir em nossa cidade. Na mesma linha a desorganizada Rua México, com estacionamento irregular  e bem na passagem de boa parte dos secretários estaduais, na direção do Edifício Banerj. A Rua México, tão perto das autoridades e tão mal cuidada.

 

Outra rua que  está com uma pista apenas liberada ao tráfego, com estacionamento irregular, é a Buenos Aires . A cara da cidade seria alterada com medidas desta ordem – estamos citando as mais gritantes – no mesmo instante em que o centro é valorizado pelos turistas, pelos investimentos – só o shopping no quarteirão que foi ocupado pela Sul América  vale por uma revolução – e a busca de uma política pública moderna é anunciada, mas ainda não executada.

 

O centro, com prédios a serem tombados antes que caiam ou sejam derrubados, pode se constituir em um valor agregado, e para tal bastariam alguns incentivos para reformas e melhoramentos, preservando as fachadas. A exemplo do que vem sendo feito com sucesso entre a Praça 15 e o Centro Cultural do Banco do Brasil e na região da Lapa. Esta precisa mesmo ser olhada  pelo lado do tombamento com reformas e o estímulo a construção de moradias, que o mercado anda aceitando bem e  gera empregos, movimenta a economia e preserva a região com a melhoria de sua população.

 

Nesta  corrida pela Copa e pela Olimpíada, em que a liberação dos recursos federais parece já fora de prazo, pensa-se em muita coisa grandiosa e efetivamente necessária. A mais urgente destas seria o novo acesso à Ponte Presidente Costa e Silva, que é responsável hoje por retenções na Avenida Presidente JK – Perimetral -e Brasil, assim como uma solução definitiva para a região da Lagoa-Jardim Botânico

 

 Já que retiraram a Aeronáutica da área  do entorno dos aeroportos, no caso do Santos Dumont urge a intervenção municipal nos táxis e na criação de uma garagem subterrânea na Praça Salgado Filho. Além da segurança evidente, incluindo menores pedintes.

 

No mais, sempre é tempo de lembrar que uma cidade como o Rio deveria ter um serviço permanente dentro do Parques e Jardins cuidando da saúde de nossas arvores e do plantio de novas .

 

São considerações que valem neste momento em que recebemos tantos turistas e deveríamos apresentar uma paisagem urbana mais desenvolvida e menos emergente.

 

* Jornalista e escritor