Mais ambiguidades de Getúlio Vargas vêm à tona

A principal  reportagem desta edição do Jornal do Brasil traz à tona, mais uma vez, o ex-presidente da República Getulio Vargas (1882-1954). De acordo com documentos transcritos em livro da historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, o governo brasileiro não só dificultou mas, muitas vezes, impediu a entrada no país de judeus que fugiam da opressão nazista na Europa.

Conhecido como o “pai dos pobres”, Vargas tem em sua biografia momentos distintos, que dão margem ao surgimento de vários conceitos sobre quem ele realmente era. Não fossem os seres humanos tão ambíguos, poder-se-ia dizer que o homem que presidiu o país por duas vezes foi uma exceção.

Vargas governou com mão de ferro no período do Estado Novo, mas foi eleito presidente por voto direto em 1951. No poder, apesar de autoritário, deixou leis trabalhistas que até hoje são comemoradas como avanços na relação entre capital e mão de obra no Brasil.

Em relação ao nazismo, também a atuação de Vargas foi controversa. Antes de a Segunda Guerra esquentar de fato, flertou com as ideias de Adolph Hitler, porém acabou aderindo aos aliados após pressão dos Estados Unidos.

Isso, no entanto – revela o livro Cidadão do mundo – O Brasil diante do Holocausto e dos judeus refugiados do nazifascismo – 1933-1948 – não impediu o governo Vargas de vetar a entrada no país de famílias judias que tentavam escapar da morte. Vale a pena ler as páginas seguintes.