A solução definitiva, mais uma vez, não será dada

A prefeitura  do Rio instalou ontem, no Morro do Borel, na Tijuca (Zona Norte do Rio) a primeira das 60 sirenes que vão alertar moradores de 117 comunidades para a ocorrência de temporais. O objetivo, louvável, é fazer com que áreas de risco sejam desocupadas antes que o pior aconteça. Espera-se que  muitas vidas sejam salvas com os novos equipamentos, que, no entanto, são apenas paliativos.

Pelo que se viu até agora, o cerne do problema não será atacado. Sirenes deveriam ser acionadas todas as vezes que um novo barraco em encosta começasse a ser construído. É sabido, porém, que as cerca de mil favelas existentes no Rio estão em livre e permanente expansão. Nem os  muros colocados em comunidades como a do Santa Marta, em Botafogo, e na Rocinha, em São Conrado, parecem ter dado resultado, pois essas comunidades continuam a receber novos moradores diariamente.

Se, no calor das mais de 760 mortes ocorridas na Região Serrana do Rio, a medida mais radical é a instalação de sirenes, presume-se que no ano que vem poderemos ter uma catástrofe semelhante, seja na capital ou em outros municípios do Rio.

Os corpos serão enterrados, a tragédia sairá das manchetes e, mais uma vez, não terá havido vontade política para o início de um longo processo de remoção das famílias que residem em áreas de risco. Para isso, teria de ser iniciado imediatamente um criterioso programa habitacional, no qual essa população seria retirada de onde está e alojada em moradias dignas e seguras. Seria caro, sem dúvida, mas definitivo.