Trânsito inseguro

No dia 21 de novembro celebrou-se o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito. A data (terceiro domingo de novembro) foi criada para garantir mobilização da população contra uma violência previsível e confortar os milhões de parentes e amigos das vítimas que sofrem consequências materiais, sociais, emocionais desses eventos trágicos. Essa foi a forma que a ONU encontrou para chamar a atenção para uma verdadeira epidemia que acomete o mundo todo. Às mortes no trânsito, que totalizam quase 1,3 milhão, agregam-se 50 milhões de feridos e incapacitados em decorrência da imprudência no volante a cada ano.

Assim como toda epidemia, possui amplo impacto e abrangência, e causa consequências profundas de ordem econômica e social, ligadas a áreas relacionadas ao trânsito, saúde, trabalho e previdência. É preciso deixar de pensar o acidente de trânsito como um fato pontual, uma ocorrência de algo banal. Não caem aviões todo dia, não se travam guerras todo dia, mas as pessoas temem quando acontece. Prevalece aquela velha história do “isso não vai acontecer comigo”. Ainda que seja raro encontrar uma pessoa que desconheça entre familiares e amigos um caso de acidente de trânsito. 

Segundo o Ministério da Saúde, 37 mil brasileiros morreram no trânsito em 2008, e 100 mil foram internados desde setembro de 2009, conquistando o primeiro lugar no ranking de procedimentos mais custosos ao SUS: 113,4 milhões por ano. Estima-se que 20% dessas vítimas carregam sequelas para o resto de suas vidas e 4% simplesmente não sobrevivem. O prejuízo não para aí: milhares os aposentados por invalidez, custo de conservação das vias, postos de trabalho e condições especiais a serem criadas para as vítimas.