Inclusão ou exclusão

Toda criança tem direito a uma educação de qualidade, aquela que a faz conhecer o mundo e suas relações para transformá-lo. Excluir uma criança deste direito é desconhecer a gênese da educação. 

O ser humano é o único ser que, ao nascer, precisa de alguém que o pegue nos braços e o coloque no seio materno para se alimentar. Se isso não acontecer, morre de inanição no berço ou em um canto qualquer.  Depois a criança se fortalece e passa a ter mais independência.  Com o tempo vamos descobrindo que não somos tão independentes assim e que continuaremos vida afora a precisar de cuidados, os mais diversos. Um desses cuidados é a educação. Ela nos mostra o mundo com suas contradições, limitações e possibilidades. Ninguém se realiza como pessoa sem passar por um processo educacional. A escola não é o todo desta educação, mas é parte significativa dela.

Por isso, a educação não pode excluir as crianças. Colocar as crianças com necessidades especiais nas classes regulares sem a devida adequação é excluí-las. Algumas deficiências não são notadas e, portanto, passam despercebidas. Outras deficiências são facilmente notadas, como a mudez e a surdez. Como poderá uma criança surda ser incluída na classe regular se nesta classe não houver quem fale a sua língua, a língua de sinais?

Como poderá uma criança muda ser incluída na classe regular se aí não houver quem se comunique com ela? Sou favorável à inclusão, mas quero uma inclusão que não exclua nenhuma criança de seu sagrado direito de aprender e de interagir com o mundo para capacitar-se na sua transformação.