Educação: o próximo passo contras as drogas

Cabe à sociedade uma reflexão sobre ao que as crianças assistem nas diversas telas à disposição

 

Uma notícia boa e outra ruim, publicadas ontem: o Brasil demonstra avanço significativo nos últimos dez anos em educação, mas a qualidade dos nossos estudantes continua deixando muito a desejar. E uma terceira notícia, que é péssima: quadruplicou, em dois anos, o número de usuários de crack no Rio. O que estas informações têm em comum? Muita coisa.

As recentes investidas oficiais no combate ao tráfico de drogas no Rio, com a surpreendente e bem-sucedida retomada do complexo do Alemão pelo poder público, merecem aplausos. Certamente, foi um duro golpe no tráfico. Mas, e agora? Qual o próximo passo, além de continuarmos com a política de repressão à bandidagem? São muitos os passos. Um deles, certamente, é o investimento pesado e constante em educação.

E, quando falamos em educação, vamos muito além das salas de aula. Capacitação e remuneração adequada de professores, construção e manutenção de escolas e formas de fazer com que nossos jovens frequentem as aulas e tenham tempo e condições para estudar em casa são ações mais do que pleiteadas por quem realmente se importa com o tema. É preciso ir além disso.

Dar um golpe no tráfico implica   diminuir a quantidade de usuários de drogas, é óbvio. E uma das formas mais eficazes de impedir que principalmente os jovens fiquem longe dessa ameaça passa  não apenas pela educação oferecida nas escolas mas também em casa e no   do dia a dia.

Nossos jovens,  principalmente as crianças, têm acesso cada vez mais fácil e constante a diversos meios de informação, que contribuem para a formação da cidadania. Televisão e internet,  inegavelmente, influenciam no comportamento da garotada. Nada contra, desde que o conteúdo apresentado seja formador, e não deformador.

É delicada, mas necessária a discussão sobre o conteúdo da mídia, principalmente daquele destinado aos mais jovens. Portanto, cabe a toda a sociedade uma reflexão ampla a respeito do que nossas crianças têm assistido nas diversas telas à disposição. As TVs por assinatura não perdem tempo, e já vendem seus pacotes no Alemão.