Respeito é bom, e os ciclistas também gostam

 

O desrespeito aos ciclistas, mostrado por reportagem publicada na edição de ontem do JB Digital, é consequência, principalmente, da falta de competência e de interesse de autoridades em atender a um número cada vez maior de pessoas que optam por adotar a bicicleta como meio de transporte usual nas cidades. Uma atitude que deveria ser louvada recebe de governos, e até mesmo de parte da população, atos de descaso explícito.

É bem vinda a atitude do governo do estado do Rio, por meio da Secretaria de Transportes, de encomendar um estudo visando a futura implantação de ciclovias, ciclofaixas e bicicletários em diversas cidades fluminenses. A iniciativa, porém, deve ser seguida de medidas práticas, com a efetivação dessas instalações e a criação de campanhas educativas destinadas à população em geral, incentivando não só o uso da bicicleta, como o respeito aos ciclistas.

Mas antes mesmo de se concluir o estudo, algumas medidas já poderiam ter sido tomadas para que a bicicleta fosse, realmente, uma opção segura, saudável e barata de transporte para aqueles que decidissem adotá-la. Infelizmente, não é assim. Na verdade, nunca foi.

Um péssimo exemplo é a cidade de Niterói, Região Metropolitana do Rio, citada logo no início da reportagem. O município praticamente não tem ciclovias, apesar de ser um celeiro de grandes talentos do triatlon brasileiro, como os internacionalmente reconhecidos Fernanda Keller, Sandra Soldan  e Armando Barcelos. Acompanhando o mau exemplo, a empresa Barcas S.A., responsável pelo serviço (de qualidade duvidosa) de transporte aquaviário entre Niterói e Rio de Janeiro, tem a coragem de cobrar o valor de R$ 4,71, além do preço da passagem (R$ 2,80) para quem ousa fazer a travessia com sua bicicleta, ação que, certamente, livraria o usuário de precisar usar, no Rio ou em Niterói, o transporte coletivo – nunca é demais lembrar que 41% das Barcas pertencem a uma empresa de ônibus, que tem a concessão de diversas linhas entre as duas cidades.

A população deve ficar atenta, a partir da elaboração do estudo encomendado pela Secretaria de Transportes, para que tudo não fique apenas no papel.