O desafio educacional dos limites

Um certo clamor, quase generalizado, parece suspirar angústia inquietante: “Será que é possível piorar?”. “Já atingimos o limite da insatisfação tolerável?”.

 O cume da insegurança torna-nos impotentes e inertes para superar os desafios e vencer  tropeços, sem ferimentos profundos, que podem sangrar carências de amor? Na realidade, muitos se perguntam: “Onde erramos?”.

 A educação permanece  tema central de busca e pesquisa. Dentro do sistema, o maior desafio são os limites. A indecisão assume formas abrangentes e preocupantes. Aparentemente, a única saída promissora seria determinar e impor limites.

 Na educação vertical vigente não dispomos de saídas diferentes e seguras. Adotamos o poder e o autoritarismo como forma de obtenção de resultados desejados.

 O sistema abraça paradigmas externos, onde o educador expressa sua vontade e determina procedimentos. Nesse contexto, o educando será julgado, negativamente, se não cumprir a ordem estabelecida e determinada.

 As técnicas tornam-se obsoletas, porque as exigências, em especial da Geração Y  apelam para a autodeterminação e a adoção pessoal dos valores e normas a assumir.

 Adotamos a educação horizontal como sistema adequado ao atendimento dos reclamos  dos tempos modernos.

 A educação horizontal tem como sustentáculo os paradigmas internos, onde o educador se transforma no  facilitador das melhores escolhas do educando.

 Os limites existem e são parte integrante do sistema educacional. Atuando nos paradigmas internos, abraçamos os limites conveniados.  O  educador  torna-se agente especial e conceituado de formação integral do educando.

O educando assume, conscientemente, o cumprimento da decisão. Empregará 100% de suas potencialidades em prol de um projeto que lhe pertence.

A ânsia de ser visto, apreciado, querido, amado, reconhecido etc é inerente ao ser humano. São aspirações profundas na busca de realização pessoal. Se não forem atendidas, permanecerá, nos educandos, um vazio de difícil preenchimento. 

 Se não atendermos a esses reclamos da natureza humana, poderemos formar educandos violentos, vingativos, neuróticos, inseguros, inconsequentes, ansiosos por aparecer a qualquer custo, capazes de praticar o contrário daquilo que lhes foi ensinado. O reforço dado pelo educador, através do reconhecimento de atos bons e aceitos como valores significativos, fomenta  sua repetição, e  torna-se fonte honesta e inquestionável de motivação.

 Nesse contexto, é negativo o educador apegar-se à condenação de erros e defeitos. Muitos erram, conscientemente, porque se torna a técnica disponível para um alerta doloroso de que eles, educandos, existem.

 A dúvida pode surgir quando há necessidade  de conveniar limites com crianças. Como agir se o pequeno ser merece correção pelo comportamento que apresentou na família?

 É evidente que, em geral, a criança se sente incapaz de absorver a  lógica das normas ditadas pelo educador.

 O fundamental reside no amor que o educador manifesta, com absoluta sinceridade, à criança.

 Afirma-se que até, aproximadamente, cinco anos de idade, o pequeno ser capta intuitivamente os sentimentos dos pais e daqueles que o cercam, referentes à aceitação ou rejeição de sua presença.

 Se predominar a rejeição, torna-se difícil desenvolver um filho amoroso, capaz de convivência pacífica e harmoniosa. Talvez predominem a revolta, o desafeto e a violência por pertencer àquela família.

 Aplicar os limites conveniados em criança  é tarefa que exige amor e técnicas oblativas de doação à causa. O alerta  do certo e do errado andará imbuído de afeto. A conversa de mãe que ama e abraça o filho, com amor e alegria, será sempre a melhor terapia. Diga-lhe  que o ama intensamente, que se orgulha de tê-lo como filho e, ao mesmo tempo, dando-lhe, com entusiasmo, estímulos positivos.

 Um gesto de amor supera, em dinamismo educacional, quinhentas palmadas. Como conclusão limito-me a repetir  frase minha publicada em outros artigos. Educador, não determine a caminhada do educando nem caminhe por ele, mas facilite a escolha consciente do caminho.

 * Filósofo, Educador e Consultor