O que falta para a polícia desvendar este crime?

Já são 14 os mortos envolvidos com o sindicato dos motoristas de ônibus de São Paulo

É natural e compreensível que qualquer polícia seja cautelosa e criteriosa na apuração de um crime. Mas há algumas situações que são claras e óbvias demais, e fazem com que a demora na conclusão das investigações aparente incompetência em excesso ou má-fé. É o que vem acontecendo no Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus em São Paulo.

O diretor de base da entidade, Sérgio Augusto Ramos, fazia panfletagem às 5h30 da manhã de segunda-feira em frente à Viação Itaim Paulista, no Jardim Ângela, Zona Sul da capital, quando foi morto com cinco tiros por dois motoqueiros de capacete. Qualquer investigador iniciante sabe que isso caracteriza uma execução. 

Ramos havia feito dois boletins de ocorrência sobre supostas ameaças de morte que recebia de pessoas ligadas ao presidente do sindicato, Isao Hosoji, o Jorginho. O sindicalista – que integrava a diretoria havia um ano, mas era egresso da oposição – gravou um vídeo no qual acusa Jorginho e outros diretores de corrupção e dizia que, caso algo lhe acontecesse, a responsabilidade seria do presidente.

O sindicalista havia denunciado ao Ministério Público Estadual esquema de desvio do subsídio pago pela Prefeitura referente ao plano de saúde dos trabalhadores. O caso começou a ser investigado em 2008. “Essa é a segunda testemunha do caso que foi assassinada”, disse o promotor Roberto Portos. Mais do que isso, o MPE tem informação de que outras 12 pessoas ligadas ao sindicato foram assassinadas antes que a atual investigação fosse iniciada.

Jorginho deu entrevistas durante o dia de ontem e até admitiu divergências com a vítima – chegou a dizer que fora ofendido por Sérgio em uma reunião no sindicato, mas que depois “ele retomou suas atividades na entidade”.

A pergunta é: quantas pessoas mais precisarão morrer para que a situação do sindicato seja resolvida, e os responsáveis pelas mortes que não têm mais volta sejam punidos?

A polícia de São Paulo teve atuação de Primeiro Mundo no caso do assassinato da menina Isabella Nardoni. E agora, onde os caminhos são quase tão claros, mas há gente influente envolvida no crime, de que mundo vai ser a polícia?