Mais uma cúpula com perspectivas sombrias

O Brasil, que se diz preocupado com a biodiversidade, só cumpriu duas das 51 metas de 2010

 

Tida por alguns como  a mais importante reunião sobre o futuro das espécies e dos recursos naturais do planeta,  está em curso no Japão a Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10). Ela representa para a conservação da biodiversidade o que a Convenção sobre Mudança do Clima significou para o combate ao aquecimento global no ano passado, em Copenhague. E tal como esta, também a COP-10 tem tudo para se encerrar, dia 29, com um retumbante fracasso.

Não se trata de pessimismo, mas de analisar alguns fatos que cercam o encontro. Ele tem representantes de 193 nações signatárias da convenção, mas nenhum chefe de Estado, pelo menos das nações que comandam o nosso planeta, estará presente. O objetivo, no papel, é chegar ao fim do evento com uma lista de compromissos capazes de garantir a conservação e o uso sustentável da biodiversidade pelos próximos dez anos. Algo que a convenção não conseguiu fazer até agora, em seus 16 anos de existência.

Nenhuma das 21 metas gerais estabelecidas para este ano foi cumprida. A quantidade de espécies ameaçadas só aumentou, a cobertura de áreas protegidas continua abaixo do mínimo necessário, o tráfico de animais silvestres persiste, hábitats continuam a ser destruídos em ritmo alarmante, e boa parte da população mundial continua alheia aos efeitos disso tudo sobre sua qualidade de vida.

Além desse panorama sombrio, há o agravante do regulamento da Conferência. Para que qualquer item seja aprovado deve haver unanimidade entre os 193 representantes – ou seja, algo quase impossível. Têm, ainda, o mesmo peso os votos de países que não têm biodiversidade nenhuma e os de outros, como o Brasil, detentor da maior biodiversidade do planeta. O próprio Brasil, que alardeia sua condição de líder e grande negociador, sentou-se à mesa em Nagoia tendo cumprido apenas duas das 51 metas nacionais sobre biodiversidade estabelecidas para 2010.

Assim, a torcida é para que o resultado da COP-10 seja diferente do que está se desenhando. Mas o mais provável é que fiquem contas a pagar, enviadas pela própria natureza.