Sociedade sabe, e deve, escolher seus caminhos

Temas sensíveis como aborto e maconha não devem ficar só na esfera do Congresso

 

Qual é a ligação  entre o projeto do deputado Felipe Bornier (PHS-RJ), que pretende transformar oficialmente em feriados os dias de jogos da Seleção Brasileira de futebol na Copa do Mundo, e o plebiscito em que os eleitores de Oakland, Califórnia, votarão pela liberação ou não da maconha para uso “recreacional”, em novembro?

Aparentemente, nada. Mas há um pequeno elo entre ambos, que engloba participação popular e poder dos legisladores. Aqui, enquanto a maior parte dos políticos só pensa em questões de interesse próprio ou em banalidades e temas desprovidos de lógica, como o PL 7722/2010, o tal dos feriados, questões importantes e polêmicas, que deveriam valer uma discussão de toda a sociedade, como o aborto, ficam esquecidos no Congresso.

A população americana, aparentemente, adquiriu maturidade suficiente para mudar isso e  reduzir a onipotência dos políticos, resolvendo suas questões mais sérias por conta própria.

Para o Brasil, seria ótimo se a classe política tivesse preocupações mais relevantes do que criar mais feriados ou trocar nomes de ruas. Como mudar isso é difícil, seria mais ótimo ainda que a sociedade se mobilizasse e pressionasse a classe política para promover mais plebiscitos.

A candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, ainda durante a campanha do primeiro turno, propôs plebiscitos sobre aborto e legalização do uso da maconha. Foi bombardeada pela ala conservadora da política, com o argumento de que aquilo ia dividir o país. Ora, se o país se dividisse em um plebiscito é porque já estaria dividido sem ele. E não correria o risco de ver uma questão importantíssima ser decidida por uma minoria, na base do achismo ou por gente que não tem qualquer comprometimento com o eleitorado.

Não se trata de banalizar os plebiscitos. Para dar nome a ruas ou criar feriados, os políticos resolvem. Mas chamar a sociedade a opinar sobre temas de influência direta na vida de tanta gente criaria a cultura que lhe daria uma consciência incalculável de si mesma. E, por tabela, um futuro bem melhor.