Carta de apresentação

Escrever é uma forma de dividir com vocês minha experiência. Consegui um lugar ao sol, com o qual tanto sonhei

 

Oi, meu nome é Érico Santana, está é a minha primeira coluna. Foi muito difícil começar a escrever até este momento em que coloco estas palavras na tela do computador. Sempre quis ser escritor – esta vontade surgiu quando eu ainda estava no quarto ano do ensino primário. Lembro com muita nitidez: a professora pediu que escrevêssemos uma redação. Quando ela leu o meu texto, ficou surpresa e levou para outra professora ler, voltou na companhia de outra professora. As duas ficavam olhando para mim e entre elas com a minha redação nas mãos. 

Lembro-me de algumas coisas que havia escrito, falava da vida, de como ela é monótona, do marasmo que me dominava. Não era grande coisa, mas eu tinha 10 anos, e, ao que parece, não era comum um menino dessa idade escrever sobre essas coisas.  

Outro ponto importante, que me influenciou, é o meu nome – um nome que traz uma forte referencia, do escritor Érico Veríssimo. Estes fatos, somados à minha natureza introspectiva, pelo menos em boa parte da minha vida, me levaram a querer me tornar escritor. A vontade pode gerar o sonho, mas não gera, necessariamente, a realização, que vem com o esforço, a perseverança do dia a dia em escrever e aperfeiçoar algum talento que talvez exista. É nesse ponto que fiquei durante anos, vontade versus realização, querer e não fazer. A vontade move e leva muitos a superar grandes desafios, vencer deficiências físicas, medos terríveis. Acontece que em outros a mera vontade não representa um móvel para a realização, mas um simples querer. A vontade precisa estar dominada por um grande catalisador: a coragem em fazer. A falta de coragem de superar seus limites e enfrentar seus medos, o seu comodismo, trava qualquer querer, qualquer vontade. 

Pode parecer bobagem existir tanta dificuldade em escrever. Aqueles que já escreveram algo que surgiu do nada, não um trabalho de escola, não se compara a uma obra puramente criativa, sabem do que estou falando. Quando você precisa gerar algo do nada, sem um motivo maior, vem uma barreira muito grande. Se te pedirem escreva sobre você, o que gosta de fazer, seus desejos, sua visão de mundo ou outro assunto de seu interesse, terá certa tranquilidade e fará sem hesitar muito. Agora experimente criar um texto sem motivo, apenas porque quer ser escritor. Cadê a inspiração? Escrever sobre o quê? 

Varias questões podem surgir, mas isso não é uma regra, você pode muito bem sair escrevendo um monte sobre tudo e todos, e no final chegar à conclusão de que é tudo uma bobagem e arrepender-se um dia de ter pensado em ser escritor. Um simples ato, escrever, algo tão comum, pode ser muito difícil. 

Demorei dez anos para vencer este bloqueio, e ainda não venci. Resolvi escrever sobre a dificuldade de escrever e fico pensando; afinal, o que estou fazendo, isso vai dar em alguma coisa? Deixa eu te contar por que resolvi superar esta barreira. Vou te dar uma chance para adivinhares, uma dica, é algo que tira você do chão. Se você viveu este sentimento, vai matar na hora. 

É o amor, a paixão, uma vontade de estar com alguém que muitas vezes você nem conhece. Como no meu caso, eu conheço, mas não conheço, sabe, de verdade. Bateu, senti uma coisa forte desde o primeiro momento que a vi, foi há três anos, em um cursinho. Ela entrou, na dela, e de cara senti uma vontade enorme de conhecê-la e, é claro, não consegui. Por quê? Eu demorei em aceitar o fato de que não poderia evitar aquele sentimento, ele iria me acompanhar mesmo que eu não quisesse.

Minha vida estava e está uma incógnita. O que faria da minha vida, qual caminho seguiria, será que daria certo? Este texto é um retrato do dilema, ou seja lá o nome que você queira dar. 

Bom, recentemente eu a reencontrei. Para ser mais sincero, eu a vi este ano duas vezes. Na primeira não esperava, já tinha quase esquecido, na segunda já imaginava que ela poderia estar lá, e cheguei a ensaiar algumas falas mentalmente, e você já sabe... Não deu nada certo. Ela mal reparou em mim, e fiquei totalmente sem jeito de falar com ela, rolou um oi e duas ou três palavrinhas, sem exagero, e fiquei como estava, na mesma. 

Acontece que fiquei sabendo que irei vê-la em outra reunião, algo que não procurei. Vi isso como um sinal, em tão pouco tempo ter uma nova oportunidade, desta vez não posso deixar passar. E o que tem a ver escrever este texto com meu amor pela Talita? É esse o nome dela, lindo não é? 

Tudo a ver, sempre quis escrever, e faltava um catalisador, a coragem para fazê-lo. Ela me deu essa coragem. Escrever e ver meu texto publicado me trará a realização que sempre procurei e marcará o início de uma nova jornada. Sentirei a confiança necessária para falar com ela sobre os meus sentimentos. Ela já sabe por que escrevi para ela (um conselho: não escreva o que você sente para a pessoa, fale. Nada mais eloquente do que a voz, o olhar, a expressão do seu rosto). Não escreva, fale logo depois que encerrou o curso. Depois de um tempão, ela respondeu dizendo que estava priorizando outros pontos da sua vida e que o namoro não estava entre eles, e que sentia muito em ter despertado este sentimento em mim. Quase que pedi desculpa por ter me apaixonado. Ha-ha! Ficou nisso, mas quando a vi, tudo veio à tona. Escrever para vocês é uma forma de dividir minha experiência, e consegui um lugar ao sol, com que tanto sonhei. Ser colunista. E poder passar na banca e mostrar para ela, no nosso primeiro encontro: “Olha, escrevi uma coluna sobre você. Yes!”. Vou vê-la em breve, a reunião é esta semana. Depois eu te conto o que aconteceu!

Um recado para você: enfrente seus medos, fale com ela, com ele. Diga o que sente, seja para quem for.

Érico Santana *

Escritor