Rio de Janeiro sempre na vanguarda

A depender do desejo do eleitor fluminense, teríamos hoje uma mulher presidente: Dilma Rousseff

O estado do Rio de Janeiro, nos momentos políticos mais decisivos da nossa história, sempre se diferenciou do restante do país. Sempre esteve na vanguarda. Foi o primeiro estado brasileiro, nas eleições de 1982, a eleger um governador com um perfil combativo como o do recém-retornado do exílio Leonel Brizola, do PDT, partido afiliado à Internacional Socialista. Uma afronta direta à ditadura que estava em seus derradeiros anos de sobrevida. Foi também no Rio que a criatividade do povo cunhou o grito olê, olê, olê, olá...Lula, Lula, incorporado à campanha presidencial do PT em 1989 e entoado até hoje. Essa demonstração inicial de carinho foi o prenúncio de um relacionamento estreito entre a população fluminense e o presidente Lula, que venceu as eleições no estado em 1998, 2002 e 2006.

Nas eleições do último dia 3, a candidata que representa o governo Lula, Dilma Rousseff, manteve a tradição de vitória do PT no estado. Dilma recebeu 3,7 milhões de votos no Rio de Janeiro. Foi a primeira colocada, com ampla vantagem, como no restante do Brasil. 

A depender do desejo do eleitor fluminense, teríamos hoje uma mulher presidente: ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, Marina Silva foi a segunda colocada. Marina chegou, inclusive, a vencer em Niterói e Volta Redonda, o que, além de revelar a debilidade no Rio da candidatura tucana, exige a reafirmação de nossa agenda ambiental. Até porque o governo Lula tem avanços na luta contra o desmatamento da Amazônia e assumiu compromissos com metas que o Brasil assumiu na conferência do clima.

Precisamos também responder com firmeza para desmentir as calúnias contra Dilma a partir da valorização da vida, da família e da religião. O recado fluminense é claro: não existe espaço para os políticos de sempre, com o discurso velho e os projetos falidos que já foram postos em prática no passado e não funcionaram. Neste segundo turno, José Serra, ex-governador de São Paulo e braço direito do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é a representação dessa velha política de governar para poucos, e sua eleição significará um retrocesso ao Brasil de FHC.

De outro lado, Dilma representa a mudança, a continuidade de um projeto que começou a transformar o país, rumo a uma nação desenvolvida. Com Lula, 28 milhões de pessoas saíram da linha da miséria, 31 milhões saíram da pobreza e mais da metade da população alcançou a condição de “classe média”. 

O desemprego está abaixo de 8%, e os salários acumulam ganho real ano a ano, fora os recordes de produção da indústria nacional —em especial, a indústria naval e petrolífera, especialmente visível para a população carioca. O Brasil e o Rio de Janeiro estão em franco processo de mudança, tão bem conduzido no estado pelo governador Sérgio Cabral, reeleito pelo povo em reconhecimento de seu excelente trabalho, inclusive pela parceria com o governo federal para enfrentar graves e antigos problemas, como a violência. 

Não podemos correr o risco de voltar a um período em que predominavam a explosão da dívida externa, o desemprego em massa, a falência da indústria nacional, os apagões, as privatizações, o sucateamento da Petrobras (que quase virou PetroBrax) e a compra de votos para aprovar a reeleição. Foi contra isso que o povo do Rio de Janeiro votou em Lula 2002 e em 2006. Nestas eleições, esse novo Brasil é representada por uma candidata: Dilma Rousseff.

 

* ex-ministro chefe da Casa Civil