A desprivatização da Petrobras

Será muito difícil que o genial astrofísico britânico Steven Hawking persuada os brasileiros de que Deus não existe (news.yahoo.com, 2/9/10), quando até afirmam que sua identidade é carioca. Agora estarão mais convencidos de que Deus é brasileiro quando impulsionaram a maior oferta acionária da história, ao ter desbancado as similares operações bursáteis do Japão e da China, mediante a venda de ações da empresa mista de controle estatal, Petrobras, por 70 milhões de dólares (dados da Reuters que o The Financial Times reduz a 67 milhões, 24/9/10) e que incrementa seu controle de 40 por cento a 48 por cento, segundo o ministro brasileiro das Finanças, Guido Mantega. Do total, 45 mil e quinhentos milhões de dólares irão diretamente para as arcas do governo pela troca dos direitos de 5 milhões de barris de petróleo pré-sal, ou seja, 10 por cento do outro negro recém-descoberto nas profundidades do oceano Atlântico debaixo de um piso de sal e que se calcula em 50 milhões de barris – por certo, o equivalente ao hilariante tesouro de Calderón, que, para variar, tem contribuído com seus antecessores clonados neoliberais para o desastre energético do México, em geral, e da Pemex, em particular. As ações da Petrobras tinham caído 25 por cento devido ao mal-estar dos acionistas privados de Nova York e da City, os quais pretenderam sabotar a oferta acionária que diluía sua participação minoritária (que desejavam em uma fase ulterior transformar em maioria controladora). Foi o megaespeculador cosmopolita George Soros quem encabeçou o tiroteio contra o Brasil ao soltar um suculento pacote de ações da Petrobras às hienas bursáteis (Blumberg, 14/08/10). Soros – suposto controlador do ex-conselheiro foxiano Jorge Castañeda Gutman com outros tutti quanti que despacham a partir da Torre Omega (suposto edifício do banqueiro do Iran-contras) até a Torre Mayor: ambas as torres localizadas no Paseo de La Reforma da cidade do México) – navega com travestismo de filantropo quando o perturbador livro La guerra de las divisas, do chinês Song Hongbing (ver Bajo la lupa, 22/9/10), o desnuda como vulgar instrumento das jogadas financeiras letais dos banqueiros escravistas Rothschild (The Financial Times dixit). A perturbação dos circuitos financeiros anglo-saxões é dilacerante, e um de seus porta-vozes globais, The Financial Times, não o oculta (durante um mês emitiu lamentações a respeito) ao tachar a oferta como uma desprivatização (sic) que favorece o controle estatal mediante a superempresa 100 por cento estatal Petrosal (Bajo la Lupa, 6/9/09), que controla a propriedade cadastral e jurídica do tesouro brasileiro nas águas profundas, enquanto a Petrobras se consagra a sua operação extrativa. O nominal controle estatal sempre existiu discutivelmente, porém era meramente decorativo e não implica seus alcances efetivos que provêm, agora, tanto da diluição privada do restante das ações da Petrobras como da supremacia cadastral e jurídica da Petrosal. * ‘La Jornada’, México